Dilma, Serra e o futuro do COPOM


“Aperitivo da Política Monetária do Governo Serra. Traduzindo: Foda-se o País, o que importa é vencer as eleições.”

A Dilma apoiou o COPOM, o que é um avanço. Queria até que ela tivesse feito isso ANTES da decisão. Uma coisa é vc não concordar com decisões pontuais, outra coisa é não acreditar na eficiência da Política Monetária para combater a inflação. Ou seja, estruturalmente, nada muda. Talvez um ajuste fino (no que eu concordo).

O Serra não queria falar, e se irritou – segundo o Estadão – e qdo pressionado (como todo candidato a Presidência deve ser) disse que “vai se debruçar sobre a questão, se for eleito”.

Peraí, a eleição não é sobre curriculo e competência? Ele quer que votemos nele acrediitando que APÓS ser eleito vai “encontrar a formula mágica da paz”? Sério, mano? Quem quer esse cheque em branco é o mesmo cara que pressionou FHC (sabe-se lá com que armas) a intervir sobre a dupla Malan-Arminio para NÃO subirem os juros (e a até baixarem em 50 pts). E isso, mesmo com o derretimento da economia, antes das eleições de 2002?

Se ele vai fazer algo diferente do que está ai, ele poderia ao menos, nós dar uma visão global do que vai ser feito? Agora “se debruçar sobre o assunto após ser eleito” não é a melhor demonstração de competência e preparo, né? Depois, a inexperiente é a Dilma. Mas eles já repetiam esse mantra lá atrás né? O resultado tá ai.

PS.: Um dos assuntos mais importantes da campanha, e qtas linhas/minutos a mídia dá pra ele? Pior é que teve jornal que nem procurou questionar os candidatos. Essa é a medida da mediocridade da campanha eleitoral até agora.

Petista e tucano divergem sobre alta da taxa de juros — Clipping TSE

Gustavo Porto, Ribeirão Preto – O Estado de S.Paulo

Pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff defendeu ontem a alta nos juros como forma de combate à inflação. O presidenciável do PSDB, José Serra, criticou a elevação de 0,75 ponto porcentual na taxa básica, anunciada anteontem pelo Banco Central.

Na Agrishow, em Ribeirão Preto, a petista criticou o governo do PSDB, sem citar nomes. “Nós não vamos ser complacentes com a inflação em momento algum. Esse compromisso é meu também, com a estabilidade que no Brasil foi conquistada a duras penas.”
Para Dilma, o valor do salário dos trabalhadores é garantido quando se garante que os preços não subam. “Ninguém vai ganhar as eleições com o malabarismo que já fizeram no passado.”

José Serra, que participou da mesma feira, se irritou quando incitado a comentar sobre o aumento da taxa de juros e a comparar os governos de seu partido e do PT. O tucano disse que vai se debruçar sobre a questão, se for eleito, e que não entende o motivo de “entrar governo, sair governo” e as taxas no Brasil serem as mais altas do mundo.

Sobre a promessa de reduzir preço dos pedágios no Estado, feita pelo senador Aloizio Mercadante (PT), Serra disse que não perderia tempo comentando.

13 comentários sobre “Dilma, Serra e o futuro do COPOM

  1. pois é o “jestor” não perde tempo comentando nada antesda eleição para não perder votos

  2. O Copom fez exatamente o que eu esperava que fizesse. Pode deixar, eu tenho um eficiente para-tomates.

    Não se surpreendam se em junho o IBGE anunciar um aumento do PIB na casa dos 8% frente ao mesmo trimestre de 2009. Todos os dados antecedentes apontam para esse piso. Certamente vai desacelerar ao longo do ano, até pq a base de comparação não será tão baixa. Essa taxa é insustentável para um país que sofreu um choque nos investimentos em 2009. Só se sustentaria aumentando os déficts externos dramaticamente.

    Dito isso, os dados mais recentes e muito importantes para a autoridade monetária, como a Capacidade Instalada da Indústria e o IPA (Índices de Preços do Atacado) vieram melhor do que muitos esperavam. Nós, meros mortais, temos muitos poucos dados confiáveis para fazer esse tipo de análise, mesmo o IBGE é muito lento na divulgação dos dados oficiais (os EUA anunciaram o PIB hoje, nós vamos esperar ainda 40 preciosos dias). O Brasil carece de instituições que meçam adequadamente vários componentes inclusos no cálculo do PIB. Só agora apareceu a Serasa com um PIB Mensal, mas que ainda não é muito respeitado pelo mercado. Ou seja, precisamos esperar o anúncio de junho do IBGE para termos uma noção geral de como anda a economia. A próxima reunião do Copom acontecerá depois desse anúncio, o que será muito bom.

    Insisto em dizer que o mercado projeta no longo prazo, para justificar e induzir seus ganhos futuros; o Copom refaz suas contas de 45 em 45 dias. Além disso, não sou adepto da teoria da conspiração, segundo a qual o Banco Central é um mero agente do lucro dos especuladores.

    Tenho para mim que o Henrique Meirelles chegou para o presidente Lula e falou que o o cenário para a inflação não é tão grave como muitos tentam vender e que seria melhor dar um grande choque agora que vários ‘choquinhos’ a cada 45 dias no período pré-eleitoral. Evidente que os diretores do BC têm dados que nós não temos, mas o PIB do primeiro trimestre, a relação consumo das famílias/investimentos, será fundamental. A gente sabe que depois do anúncio do PIB todas as agências revisam suas contas, justamente pela falta de dados antecedentes confiáveis.

    Quanto ao Serra, tenho certeza que ele tem elementos sólidos e ‘embomantes’ (sic) para justificar os juros de 45% de seu governo, mas num debate meus caros, ele vai perder minutos preciosos tentando.

    1. Alexandre, beleza, o COPOM agiu para conter a inflação. Porque a SELIC mexe no custo do crédito, desestimulando a sua concessão.

      Ou seja, a SELIC alta tira dinheiro do mercado de consumo.

      Mas essa não é a única forma de combater a inflação, não é a única forma de aumentar o custo do crédito. Mas é a forma que tira dinheiro do Estado e passa ao especulador financeiro.

      É aquele negócio: a lógica rentista ainda é forte. Quero crer que o próximo governo a desmonte de uma vez.

      1. Rodrigo,
        o que vc escreve na teoria não tem resposta. Mas como na vida prática nada é tão previsível posso argumentar que a estratégia do Banco Central e do governo como um todo tem tido um efeito mais virtuoso do que a teoria poderia prever. Primeiro pq o BC não tem outra ferramenta para combater a inflação de demanda (no caso brasileiro pressionado por preços de commodities, indexação resistente em contratos de serviços públicos – ah! Lula prometeu não romper contratos – e aumento necessário dos investimentos públicos). Segundo pq o endividamento e os gastos com juros estão em queda consistente (lenta e gradual seria melhor) desde 2004. Segundo os dados do primeiro trimestre se mantém em números absolutos, mas o PIB cresce 7%. Prefiro ver a curva de longo prazo e esse blog publicou outro dia.


        Eu tenho um corte de 2003 pra cá, que fez chamar de ‘gráfico do tobogã’. Os inevitáveis ciclos de aperto monetário trazem essa curva consistentemente cada vez mais para baixo. Como disse o Ciro Gomes quando era ministro da Integração Nacional:

        “As pessoas estão angustiadas porque estão sensíveis com o drama da coletividade”, disse. “O que elas não podem é transformar sua justa angústia, que é fruto de solidariedade com a população, em açodamento, trocar os pés pelas mãos e amanhã fazer uma bobagem que venha contra aquilo que a gente quer fazer”, acrescentou. “A tarefa de crescer no caso brasileiro, um país endividado, com uma crise de confiabilidade internacional, um pass ivo externo líqüido criminoso e uma dívida pública criminosa, é necessariamente uma tarefa de disciplina e paciência, embora tenha de ser também uma tarefa de audácia e esforço de superar aquilo que parecem vedações.”

        Muitos economistas com visão mais social costumam questionar o PIB como forma de avaliar o desempenho sócio-econômico de um país. Defendem um Índice de Felicidade Interna (SWB), sei lá das quantas. Num Brasil de excluídos, estou mais preocupado com o índice da Abras que mede a venda nos supermercados, pois é lá que se mede a felicidade do brasileiro médio que ainda tem pouca ou nenhuma capacidade de poupança, que gasta tudo o que ganha. O índice da Abras está crescendo 10% e ela depende da estabilidade. ‘É o supermercado estúpido’.

  3. Rodrigo, não é bem assim. Ou melhor, é assim mesmo. Mas a gente não pode nunca desconsiderar que i) mais inflação é menor poder de compra para os salarios (ou seja ferro nos trabalhadores). ii) A divida do Estado (questione a construção, rolagem e administração, mas não se questione a sua inexorável existência) é remunerada pela taxa de juros. Enquanto o Estado precisar de financiamento, precisa de juros altos. Tanto maior qto a necessidade de financiamento e as condições de mercado. iii) O sucesso crescimento via expansão do crédito do Gov. Lula está mostrando suas limitações. Está na hora de enfrentar de vez o baixo investimento pra criar as condições de expansão continuada da economia.

    Enfim se não perdermos, as oportunidades de baixar os juros para niveis similares ao de paises no mesmo patamar de desenvolvimento no proximo governo esse discurso já estará velho em breve.

    Assistindo o WorldNews da BBC sobre a ExpoShangai, deu pra descobrir pq a China consegue crescer tanto. Eles nao tem pudor de construir o que for necessario pra dar condições da economia funcionar. Seja estradas, seja pontes, seja o que for necessario.

    E essa abordagem para infra-estrutura que precisamos, e o melhor, sem a pressão de 600 milhões que ainda vivem no campo. Podemos fazer isso de maneira sustentável.

    Então não é só rentistas vs produtores. É bem mais complexo e desafiador, mas as melhores coisas do mundo, o são, não é?

    1. E é essa a importância do PAC (ou a lista de obras, como gosta de chamar o Serra), que entre os jornalistas e blogueiros de ‘renome’, quem mais entende é o Luís Nassif. Para proteger o país dos riscos financeiros e ambientais dos investimentos como mero resultado de uma ‘vontade política’ (desde Brasília até Balbina, passando pela Ponte Rio-Niterói e Itaipu), o país criou uma série de obstáculos sem ao mesmo tempo criar mecanismos para enfrentar os gargalos.

      E o ‘os investimentos do PAC em 2010 já superam todos os trimestres anteriores juntos’.
      http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=82

      “O PAC é coordenado pelo Comitê Gestor do PAC (CGPAC), composto pelos ministros da Casa Civil, da Fazenda e do Planejamento. A gestão do PAC contempla o monitoramento sistemático e contínuo das ações necessárias ao bom andamento das obras, com produção de informações sintéticas e em tempo hábil, o que permite rápida avaliação das situações e eventuais correções nas ações monitoradas. O SISPAC subsidia os processos do PAC por meio da consolidação das informações das ações e das metas, além de acompanhamento dos resultados de implementação e execução do PAC. Ainda no que diz respeito à inovação em termos de grandes programas estruturantes, o Governo Federal lançou o Minha Casa, Minha Vida, outro programa muito especial neste contexto de crise por seu caráter anti-cíclico. O programa vai viabilizar crédito para a construção de um milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos.” (Políticas Inovadoras em Gestão no Brasil, Nicolau Frederico de Souza, http://blogln.ning.com/profiles/blogs/politicas-inovadoras-em-gestao)

      O Brasil vai crescer aumentando o poder de consumo da população, construindo infra-estrutura e enfrentando o dramático déficit habitacional. Só assim teremos poupança para fechar o ciclo de investimentos. A Miriam Leitão, coitada, acha que é preciso cortar gastos.

      Mas Fernando, só essa política de ‘crescimento via expansão do crédito do Gov. Lula’ vai permitir no médio prazo atrair a concorrência e baixar juros.

      1. Concordo, mas como diz o ditado, uma “politica de expansão de crédito” sozinha não faz verão. É preciso políticas complementares, e agindo de maneira coordenada.

        Mas acho que a Dilma vai dar um jeito nisso rapidinho.

  4. “Pra baixo todo santo ajuda” Acho que será o título de um post quando tiver mais tempinho, mas não mudei nenhuma das minhas opiniões do texto de 13/março:

    https://muitopelocontrario.wordpress.com/2010/03/13/juros-caindo-e-o-dolar-tambem-os-mercados-nao-resolvem/

    Enfim, baixar juros é mais fácil que subir. Baixar valor real da moeda, também. A situação “macro” nem se compara com a de 1998 ou 2002.

    Todo mundo diz “herança maldita”, “grande falha do governo Lula”, etc. Mas, calma. Não há nenhuma conspiração mesmo, como o Alexandre falou.

    Se a equipe econômica do governo já acertou várias bolas recentemente e é elogiada por todo lado, não seria o caso de se dar um crédito de confiança?

    Tenho pra mim que tudo já está sendo estudado e considerado, é questão de prudência. Não prejudicar eleições e não prejudicar o poder aquisitivo.

    E Ciro e Serra fizeram um grande favor ao governo ao colocar o bode na sala, agora o governo ganha graus de liberdade para falar no assunto, antes estava paralisado pelo apoio que a imprensa dava ao juro alto/dólar barato, apesar de algumas reportagens independentes de economistas ao contrário.

    Aposto uma caixa de Ferrero Rocher que isso dos juros e câmbio vai ser bumerangue para a campanha de Serra.

    1. Eu tb acho, exatamente pq conforme disse no post anterior, ele não parece ter se preparado pra fazer o jogo complexo que é chamar o debate, aguardar a resposta e replicar com uma ideia inovadora que encerre o debate.

      Tipo se a Dilma, lá no AgriShow disse que apoia as decisões do BC, o maximo que ele diz é que vai resolver, se ganhar, de alguma forma. A gente sabe o tanto que o Mercado gosta de misterios e pacotes.

      Eles na verdade parecem mais despreparados do que imaginavamos. Ou eles estao tao preparados pra enfrentar esse debate que estao guardando munição mais pra frente.

      Vamos ver.

      1. Gunter (você por aqui?).

        O Meirelles disse hoje ao Brasil Econômico sobre o aparente desequilíbrio entre demanda e oferta: “Ou o Banco Central corrige, e a grande vantagem é que tem piloto, ou a inflação corrige.”

        Não seria o caso de se dar um crédito de confiança?, você pergunta.

        Eu diria que a gente perde muito tempo com o que está tranquilo. Chega de TPC (Tensão Pré-Copom), já disse o “Sapo Barbudo”. Pode confrontar os gráficos de investimentos (FBCF) e Selic, durante esse governo Lula e vc vai ver que não há nenhuma relação entre eles. Ao contrário do que diz a FIESP, é a demanda que garante o que Delfim chama de ‘o instinto animal do empresariado’.

        O que fez a Votorantim anunciar essa semana a construção de oito novas fábricas de cimento? Uma espiadela nas taxas de juros futuros negociadas na BM&F? Aposto que não. E como tentei mostrar acima, o mesmo acontece com o endividamento e gastos com juros.

        O Serra diz que não sabe pq entra governo sai governo, o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. São vários os motivos e cada linha ideológica, pq economia tb é uma ciência ideológica, tem uma receita para um desses motivos, tem uma bala apontada. A resposta é “disciplina e paciência, embora tenha de ser também uma tarefa de audácia”.

        A esquerda precisa parar de acreditar na ladainha liberal de que política econômica se resume ao tripé que o FMI desenhou para o Malan em 1999, como contrapartida para tirar o país da quebradeira em que estávamos. Política econômica de fato é muito mais do que isso. O tripé macroeconômico é apenas o alicerce e os resultados são bons. A esquerda precisa parar também de acreditar na Miriam Leitão, quando ela diz que os bons resultados do governo Lula são fruto do acaso.

      2. Oi Alexandre. Concordo. Há muitas variáveis envolvidas. Nos anos 80 e até 1993 as taxas reais de juros eram negativas e nem por isso houve boom de investimentos ou consumo. Mas quando sair essa neblina eleitoral e a “academia” voltar a apresentar o que se estuda em economia haverá algo mais sólido.

        Meu resumo é: concordo com você que não há inexorablidade para nada no curto prazo.

        No médio prazo acho que haverá uma desvalorização induzida por demanda do governo de divisas.

        No longo prazo uma nova revalorização como resultado de reformas estruturais e alinhamento à taxa internacional de juros.

        Abraços.

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