Arminio, Serra, os juros e a falácia da argentinização.

Veja bem, consumidor, o que acha desse gráfico acima? Ele mostra todas as taxas de juros estabelecidas pelo BC (ou BCB) desde qdo o Brasil resolveu virar um país de verdade. Estarrecedor não? Pois é.

Mas teoricamente, tirando os 45% do Gustavo Franco – e não me entendam mal, acho ele um puta economista, o insight da URV foi sensacional. Digamos foi a cereja no bolo do Plano Real – não tivemos desde que o Arminio assumiu o BC nenhum ponto fora da curva, certo? Humm, errado.

Como nos capciosos contratos de prestação de serviço, das empresas de telefonia honestamente privatizadas, o problema está nos detalhes. Nas letras miudas. Aquelas que vc precisa de uma lupa pra enxergar. Tudo bem eu ajudo.

“Perguntas que nunca serão feitas: Arminio, qto custou ao País não subir os juros qdo era necessário? E abaixa-los irresponsavelmente? Vc vai pagar a conta? Qta coincidência, só descubriram que era preciso subir exatamete depois de outubro de 2002?”

Naquele momento o pânico irresponsavelmente explorarado pelo próprio presidente do BC (!!!), pelo próprio Ministro da Fazenda (!!!) e pelo próprio Presidente da República(!!!), com a falácia da argentinização. Jogaram gasolina na fogueira. Pq raios o competentissimo Arminio Fraga, pai do Millenium, não subiu os juros? Pq manteve os juros, e até ousou abaixa-los mesmo com a explosão do risco-pais, com a sangria das reservas causada pela debandada de investidores em pânico.

Descobrimos posteriormente, não só pq o PT tendia a assumir o poder, mas pq os fundamentos econômicos eram extremamente frágeis. Como em 1994, só que dessa vez sem os US$ 40 bi do Clinton/FMI. Tipo, tudo aquilo que o Lula veio corrigir depois, a divida extremamente dolarizada, reservas insuficientes para atravessar um momento de turbulência e principalmente, falta de autonomia operacional para a autoridade monetária fazer o seu serviço.

E não custa repetir, a irresponsabilidade de homens públicos como o Pedro Malan, que entraram de cabeça no jogo da mídia de tentar fazer do medo um programa de governo, manchando com isso uma trajetória, se questionável do ponto de vista econômico-ideológico, até aonde se sabe, irretocável do ponto de vista ético.

Não é por uma ironia dos deuses, o candidato àquela época era, ninguém menos que José Serra.  Foi ele quem pressionou o FHC para evitar o aumento de juros pela autoridade monetária, o que na época, era a unica coisa sensata a se fazer. Não por acaso, é ele hoje quem tem a sua ultima chance de chegar à presidencia.

O que ele não sabe, é que temos sim memória. Qdo digo nós, digo eu, e o Mercado.

PS.: Segue abaixo alguns artigos da epoca. Queria buscar as declarações do Malan e do FHC, mas fica pra depois.

Folha de S.Paulo – Memória: Tucano dizia que havia risco de “argentinização” – 03/08/2002

MEMÓRIA

Tucano dizia que havia risco de “argentinização”

DA REDAÇÃO

Apesar de ter dito ontem que o Brasil não tem “uma situação como a da Argentina”, o presidenciável tucano, José Serra, já afirmou algumas vezes que havia risco de “argentinização” do país -relacionando-o ao resultado das eleições.
No último dia 7, o candidato disse que, se o Brasil “sair do rumo, pode descarrilar como a Argentina”.
Em abril, questionado se o risco existia, disse: “Há risco, sim. Depende do resultado da eleição. [O risco” não é apenas de a extrema esquerda [chegar ao poder”, mas da inépcia que percorre todo o espectro político brasileiro”.
Em janeiro, no discurso de lançamento de sua pré-candidatura, afirmou: “A principal lição que podemos tirar do sofrimento argentino é a do risco que representa para os destinos de uma grande nação ser conduzida com fraqueza de vontade política e incompetência”.

Folha de S.Paulo – Opinião Econômica – Benjamin Steinbruch: Quanto melhor, melhor

OPINIÃO ECONÔMICA

Quanto melhor, melhor

BENJAMIN STEINBRUCH

Durante muitos anos, as oposições brasileiras adotaram a velha tática do “quanto pior, melhor”. A ação consiste em pregar o advento do caos na economia e incentivar distúrbios de toda ordem. Objetivo: propagar a idéia de que o governo está levando o país ao desastre.
Essa é uma atitude, no mínimo, irresponsável. As oposições a adotam, naturalmente, com o intuito de chegar ao poder por meio da destruição da confiança da população em seus líderes. A novidade, no Brasil, é que a tática do “quanto pior, melhor” foi ensaiada agora não apenas pela oposição, mas também pela própria situação. Em declarações infelizes, autoridades do governo falaram na possibilidade da “argentinização” do país em caso de vitória de um candidato da oposição. Os assessores do candidato do governo insinuaram a mesma coisa.
Não tenho o dom de ler pensamentos, mas imagino que por trás dessas declarações estava a idéia do “quanto pior, melhor”. Ou seja, se houvesse uma turbulência agora, provocada pela simples possibilidade de vitória de um candidato da oposição, seria mais fácil eleger o candidato do governo em outubro, com a promessa de que ele traria de volta a estabilidade.
Quando faz isso, seja de oposição ou de situação, um candidato está usando a economia para superar suas deficiências políticas. Nada mais lamentável e mesquinho.
Homens públicos devem ter a grandeza de usar a política para vencer problemas econômicos. Não têm o direito de fazer o contrário: detonar a economia em busca de alcançar objetivos políticos.
Homens públicos devem ter a grandeza de resistir à tentação de mandar fabricar dossiês ou espalhar difamações contra adversários ou contra qualquer cidadão que possa representar ameaça a seus planos de poder. Devem resistir à tentação de utilizar, por exemplo, escutas telefônicas para colher informações ilícitas que lhes sejam úteis durante a campanha. Aliás, o grampo telefônico é uma peste que se alastrou de forma assustadora pelo país nos últimos tempos.
Homens públicos também devem ter a grandeza de avaliar objetivamente os problemas da economia. Comparar o país com o Titanic é inoportuno e desnecessário.Todos sabem qual foi o destino do Titanic e não parece correto prever um desastre dessas dimensões para o país.
Grandeza, no caso de candidatos à Presidência da República, é olhar para a frente, abandonar o derrotismo, parar de propagar o possível fracasso dos adversários e concentrar forças para sugerir caminhos que possam levar o país ao sucesso. Na semana passada, por exemplo, abriu-se a possibilidade de renovação do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional. Conhecemos os males que os programas do FMI causaram às economias brasileira e de outros países emergentes. Mas, na atual situação, ruim com ele e pior sem ele. Os candidatos de oposição têm a responsabilidade de discutir esse possível acordo, até para modificar algumas cláusulas inaceitáveis, porque o aval do Fundo pode ajudar a tranquilizar o mercado em relação ao Brasil e permitir uma transição mais fácil do governo ao sucessor de Fernando Henrique Cardoso.
Em editorial na semana passada, a Folha sugeriu que os protagonistas da disputa sucessória darão uma grande contribuição se pararem de fornecer subsídios gratuitos para o pânico dos agentes financeiros. O caminho é por aí. Que a economia tem problemas não é novidade para ninguém, pois seus fundamentos não são tão sólidos quanto prega o governo. Os candidatos dariam uma contribuição positiva se concentrassem baterias na divulgação de planos e idéias para enfrentar os problemas reais da economia: o pífio crescimento da produção e do emprego e a exagerada dependência externa que há longos anos nos obriga a conviver com a praga dos juros altos.
Benjamin Steinbruch, 47, empresário, é presidente do conselho de administração da Companhia Siderúrgica Nacional.
E-mail – bvictoria@psi.com.br

Folha de S.Paulo – PSDB debate dosagem de discurso de satanização da imagem de Lula – 30/06/2002


PSDB debate dosagem de discurso de satanização da imagem de Lula

KENNEDY ALENCAR

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Há um debate no comando da campanha presidencial do PSDB sobre a
dosagem da estratégia de associar o petista Luiz Inácio Lula da Silva à
eventual argentinização do Brasil e classificar o tucano José Serra
como o candidato mais bem preparado para evitar o caos econômico. O
resultado do debate marcará o tom da propaganda tucana no horário
eleitoral gratuito, marcado para começar em 20 de agosto. O marqueteiro
Nizan Guanaes e sua equipe já estão elaborando peças de campanha para a
TV e o rádio.

A Folha apurou que o presidente Fernando Henrique Cardoso e Nizan
Guanaes fizeram uma autocrítica em relação à associação de Lula à
Argentina, país onde a economia derreteu e gerou crise política e
social.

Essa associação teria contribuído, em boa parte, para a turbulência
econômica que vem assolando o Brasil nas últimas semanas, elevando o
dólar a patamares inéditos e aumentando o risco-país (indicador que
mostraria a capacidade de o Brasil honrar seus compromissos externos).

O governo já pisou no freio, mas os tucanos, para efeito eleitoral,
acham que o estrago econômico já está feito e que têm de bater mesmo é
na tecla de que o governo Lula significará o caos.

Já o time de marketing de Serra teme que essa linha de demonização de
Lula traga um carimbo incômodo para Serra, o de candidato do mercado
financeiro que precisa ser eleito a ferro e fogo.

Além de transmitir uma imagem de antipatia aos formadores de opinião,
que apontam a vulnerabilidade externa como nosso maior flanco, Nizan e
cia. temem que o eleitorado resista à vontade do mercado financeiro
internacional e do empresariado brasileiro. Em outras palavras, Serra
estaria se transformando no candidato dos ricos, exatamente a imagem
que a campanha petista tenta colar no candidato do PSDB.

Interessa a Nizan fazer a associação Lula-caos econômico de forma mais sutil, insistindo no suposto despreparo de Lula.

A Folha apurou que o marqueteiro de Serra está colecionando declarações
infelizes e contraditórias de Lula, para usá-las no horário eleitoral
gratuito. Com isso, pretende usar Lula para criticar Lula. Um exemplo
de exagero que pode prejudicar Serra, na opinião da cúpula da campanha
do tucano, foi o discurso da última terça-feira feito pelo ministro da
Fazenda, Pedro Malan, em depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos
do Senado.

Depois de ficar meses cobrando do PT um documento comprometido com a
estabilidade, o que veio após divergências fortes entre os economistas
petistas, Malan falou que seria bom para acalmar o mercado manter
Armínio Fraga por um tempo na direção do Banco Central, qualquer que
seja o próximo presidente eleito.

Nizan teme que, se a dosagem da satanização de Lula não for correta, o
eleitorado veja Serra como imposição e o rejeite. “”Não pode passar a
impressão do pai que diz ao filho que ele pode se casar com quem
quiser, desde que a moça se chame Marlene, seja loira e trabalhe de
aeromoça na TAM”, disse Nizan de brincadeira a um interlocutor.

Folha de S.Paulo – Análise/ Política Econômica: A questão do PT é a transição, não a ruptura – 30/06/2002

ANÁLISE/POLÍTICA ECONÔMICA

A questão do PT é a transição, não a ruptura

VINICIUS TORRES FREIRE
EDITOR DE DINHEIRO

Já faz alguns meses, muito se discute se a palavra “ruptura” vai constar ou não do programa econômico do PT. Mas se fosse preciso prestar atenção a uma só palavra da nova carta de intenções econômicas do PT seria melhor perguntar o que o partido está chamando de “transição” para uma nova política econômica.
Aliás, trata-se de uma questão, a transição, para todos os partidos. Talvez seja aí que eles se diferenciem pois, em termos macroeconômicos, em linhas gerais todos propõem a mesma coisa, em conversas reservadas, em público ou em rascunhos de programas.

O tamanho do problema
A expressão “em termos macroeconômicos” quer dizer: o que fazer da dívida pública, do crescimento, da inflação, dos juros, das contas externas (quanto o país recebe e gasta em dólares).
A dívida pública (dos governos) cresceu muito nos anos de Fernando Henrique Cardoso, problema número um. Dois, hoje em dia, a economia brasileira, quando cresce, tende a produzir rapidamente uma diminuição do saldo comercial (as exportações diminuem, as importações aumentam). Mas o Brasil precisa de muitos dólares a fim de pagar juros da dívida externa, os lucros que as empresas estrangeiras remetem, a conta do cartão de crédito dos turistas, o frete dos navios que transportam nossas mercadorias, entre outras despesas.
Para tanto, é preciso exportar mais que importar e/ou conseguir investimentos estrangeiros e/ou empréstimos. Nos governos FHC, o país precisou cada vez mais de dólares e não aumentou sua capacidade autônoma de gerá-los em volume relevante.
Em economias abertas (em que o dinheiro entra e sai com relativa liberdade de um país), de governos muito endividados, muito dependentes de capital externo para fechar as contas e de pouca credibilidade (com histórico de calotes), como no Brasil, é difícil manter a dívida pública e as contas externas sob controle.
Mas é preciso que a dívida pública pareça “pagável” a quem empresta ao governo. E o país tem de parecer capaz de gerar dólares para pagar a dívida externa e a fim de poder trocá-los pelos reais de quem quer remeter lucros, por exemplo. Nessas economias precárias, na nossa, os juros em geral são altos. Juros altos também serve para manter o fluxo de dinheiro que financia nossos déficits interno e externo.

Dois palavrões famosos
O PT pretende resolver, ao mesmo tempo, o problema da volta do crescimento e da desigualdade social. Para tanto, seus dois eixos principais são o ataque à “vulnerabilidade externa” e a “criação de um mercado interno de massas”.
O palavrão número um, “reduzir a vulnerabilidade externa”, significa que o governo vai estimular ou executar programas que aumentem as exportações e diminuam as importações (fazendo os produtos aqui). São as chamadas políticas industrial, de competitividade ou comercial. O número dois, que o governo quer fazer que os mais pobres consumam mais, o que estimularia o crescimento sem criar problemas nas contas externas. O PT diz que “as massas” não consomem produtos exportáveis ou importáveis.
O PT fala em “medidas emergenciais” para melhorar as contas externas. Não se sabe como o PT o faria, mas tais políticas exigem, por exemplo, reforma tributária: redução de impostos de bens exportáveis, tornando-os mais baratos, concessão de subsídios, o que custa caro ao governo e leva tempo para implementar. Políticas menos custosas demoram a dar resultados, dois ou três anos, digamos. De resto, é bastante polêmico se vale a pena substituir certas importações (sairia mais caro fabricar aqui) e se é possível barrar importações por meios como impostos, por exemplo, o que pode violar tratados internacionais e impedir o acesso da empresa brasileira a bens mais baratos de tecnologia.
Políticas de aumento do consumo de massas (obras de saneamento e infra-estrutura, construção de casas populares, que dão mais emprego aos mais pobres) não pressionam de início as contas externas, mas a médio prazo aumentam o consumo geral da economia, o que pressiona, sim, as contas externas. De resto, exigem investimento público ou privado (via privatização do saneamento, por exemplo).

Dúvidas da transição
O problema é que tais políticas são necessárias para de fato dar um impulso ao crescimento econômico e tirar o país do círculo vicioso de dívida, déficit externo e juros altos. A questão é o “timing” ou a “consistência intertemporal”, como dizem os economistas: como chegar a esses objetivos antes que a dívida estoure, os investidores fujam, o país quebre?
Ao menos num primeiro momento, o PT parece que vai propor o que quase todo macroeconomista recomenda para o país no ano que vem. Superávit fiscal (economia de despesas dos governos) igual ou maior que o de 2001, a fim de manter a confiança dos investidores e, talvez baixar os juros e retomar algum crescimento, o que conteria um pouco do aumento relativo da dívida.
Mas, num primeiro momento, se o crescimento volta, tende a haver menos saldo comercial e piora nas contas externas (mais importação, menos importação), pois as políticas industrial e comercial não fazem efeito no curto prazo, se é que de fato vai haver dinheiro, criatividade, competência e capacidade de negociação para fazê-las melhorar no médio prazo.
Alguma piora nas contas externas tende a pressionar o dólar e provavelmente a inflação, já pressionada pelos aumentos programados nos serviços públicos. Para conter a inflação nas metas estreitas de hoje, seria preciso conter o crescimento, o que piora a situação da dívida pública.
Enfim, por algum lado, nos dois primeiros anos do próximo governo, o problema estoura. Esse é o problema da transição: o que fazer enquanto as contas externas não melhoram e os juros não podem cair muito?
Uma pergunta imediata é: o PT vai manter superávits fiscais o tempo suficiente para controlar a dívida, baixar juros e reduzir o consumo nacional (o que também ajuda as contas externas)? Como e em que medida vai controlar a inflação, caso o crescimento volte de imediato? Com que tipo de metas de inflação?
Em um espaço de quinze dias, neste mês, três economistas do PT deram respostas diferentes para o problema das metas de inflação. Mesmo o governo FHC acaba de admitir que as metas fixadas são muito estreitas e exigem altas frequentes de juros, o que emperra a economia. Mas há divergências no PT sobre qual sistema adotar -e trata-se de uma questão crucial para garantir a credibilidade da política econômica. Diferenças sobre essas questões geraram uma crise interna entre os economistas e defecções na equipe do programa econômico.
De onde virá o financiamento para os investimentos que vão estimular o “consumo de massas”? Alguns dos economistas do PT falam em usar dinheiro dos bancos federais, que nos anos FHC viveram semiquebrados e na dependência dos escassos recursos públicos. Para manter a dívida estável e investir mais, o governo do PT reformaria a Previdência dos servidores públicos, a maior fonte de déficit público?
O problema crucial será essa transição do “malanismo”, da política econômica de FHC, para um novo modelo. E é um problema de todos os candidatos.


5 comentários sobre “Arminio, Serra, os juros e a falácia da argentinização.

  1. Meu caro, ando sumido por causa de trabalho, desculpe. E hoje cansado porque fiquei lidando com a questão em um post do Nassif. Só o li o seu comentário, outro dia volto para ler os textos.

    Você tem toda a razão. Tipo assim, mata a cobra e mostra o pau?🙂

    Eu já havia notado que em 2002 foi o único ano em que a taxa real de juros havia sido negativa. Mas só havia visto agregados anuais! Só agora caiu a ficha que foi de propósito.

    Mas lembra da URV? Foi adotada com o prazo certo para que a conversão se desse no final de junho, a 3 meses da eleição. Planos assim sempre dão certo pelo menos nos primeiros meses, iria aguentar de qualquer jeito até outubro.

    Se a eleição desse certo, apela-se para os juros prejudicando a competitividade. Se desse errado, não ia parar nas mãos a bomba.

    O Sarney foi bem atrapalhado na escolha dos planos de estabilização. Mas tem uma coisa : acho que ele passava maior sinceridade nos objetivos…

  2. No problema, at all. Ado, ado, ado, cada um com seu tempo ocupado. Eu fiz esse post meio na correria. Hj qdo fui reler, achei que ficou muito ruim. Fiquei ate com a consciencia doendo por ter estragado uma boa ideia.

    Mas o fato de eu ter tomado uns choppes antes não tem nada a ver com isso. Eu garanto!

    Boa essa da URV ein? Pena estar sem tempo pra dar uma estudada nisso. Realmente,pq meros 3 meses pra algo tão importante?

  3. Hi, a URV foi adotada em nov./1993, para que houvesse um conjunto de 8 ou 9 meses em que se pudesse relacionar os preços internos a ela, que tinha paridade dom o dólar. Então o plano foi cópia daquele adotado na Argentina em 1990. Poderia ter sido feito antes, mas Collor não tee essa ideia. O interessante é a data da estréia: 30/06/94, 3 meses antes da eleição!

    Não tinham certeza de que daria certo. Todos os outros planos furaram. Mas se sabia que nenhum deles naufragou antes de 3 meses. Então eu acho que a data foi escolhida a dedo.

    O mesmo em relação aos juros de 1998. E, com o que você descreveu, em 2002.

    É triste porque nisso de fazer política monetária para ajudar em eleições se envolve a vida de milhões de pessoas.

    Esse comportamento, que levou a uma política maluca de juros, era minha principal razão para não votar no PSDB (Não ligo muito para as privatizações e achei que a reforma da previdência e a lei de responsabilidade fiscal têm algum sentido, embora pudessem ser melhor estudadas)

    Agora há outra maior: o modo desornado de fazer campanha usando artifícios pouco ou nada éticos.

    O PSDB não é um bom jogador. Se algum dia algum amigo me pedir sugestão para votar em discurso de direita (é uma opção classista válida, nao é?), vou recomendar então o PR, o PMDB ou mesmo o PP (incrível isso : o tempo passou e o PP – do Maluf – ficou com melhor imagem pública que o DEM/PSDB)

  4. Não ficou ruim não, na minha opinião, “muito pelo contrário”. Tanto que atribuí nota 4. Trata-se de uma visão inédita ou pouco falada, é oportuno lembrar disso e passou perfeitamente a ideia.

  5. Privatizações – A forma vergonhosa como foram feitas (beneficiando uma oligarquia e poderosos d'jour) e a falta de coragem de criar Agencias realmente capazes de regular o mercado a ser privatizado me incomoda ate hoje.

    Reforma da Previdencia – Foram e ainda são necessarias. Mas houve insensibilidade de ao menos dialogar, o que evitaria injustiças, principalmente com quem estava na faixa de transição, ou perto de se aposentar.

    LRF – Fundamental, mas incompleta. E digamos a verdade, o PSDB so fez pq foi obrigado pelo FMI. Que seja, pelo menos fez.

    Desonestidade – Eles acham que é do jogo. Eles e os petitas de SP. Só o eleitor pra acabar com essa baixaria.

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