Cabo-de-guerra nas pesquisas

quadrinhos do genial Ziraldo

Nada muito novo…

Ainda irá se afirmar a tendência de analisar as pesquisas de 4 em 4. Fazendo-se a média dos resultados as diferenças metodológicas e escolhas de momento se compensariam, pois frequentemente as últimas 4 pesquisas são de institutos diferentes, como é o caso agora. Por essa abordagem, ambas as candidaturas estão em leve ascensão (a de Serra 1% e a de Dilma 3% desde fev.), o que é explicável por redução no percentual de indecisos. É a tal da polarização em curso.

olhando assim fica sem emoção...

 

Só que assistir a disputa assim fica bem menos emocionante. Por uns meses os movimentos devem ser lentos, mas continua provável o encontro de candidaturas (ou seja, das médias móveis) para meados de junho, o que não seria ruim para a candidatura governista, pois vale lembrar que em 1994 FHC passou Lula apenas nas pesquisas do início de agosto, após 1 mês de campanha televisiva (naquele ano PMDB teve candidatura própria.)

Não tem importância especular sobre para quem vão os votos de Ciro. Em um primeiro momento, quando ele sai do cenário de pesquisa, Serra recebe mais do que Dilma votos dele. Mas votos de Ciro também vão para Marina e nas simulações para 2º turno Dilma recebe mais dos votos de Marina. Grosso modo equivale a dizer : se a candidatura Ciro ajuda um pouco, por ora, Dilma a ir para o 2º turno, a candidatura Marina também ajuda um pouco Serra a ir para o 2º turno. Mas nada muito relevante.

Cabo-de-guerra

Foi levantado recentemente que o Sensus usa um percentual maior (em relação a IBGE) de pessoas com renda inferior a um salário mínimo. E que Datafolha faz pesquisas na rua e usa um percentual maior (em relação a IBGE) de pessoas com escolaridade média. Isso explicaria a posição desses institutos nos extremos recentes? Talvez, mas então seria o caso de começar a se comparar os resultados por segmento sócio-econômico, assim como se faz em relação às parciais por região.

Muito se fala agora da elevação do “gap” na Datafolha recente (10%) em comparação com a Sensus anterior (0,4%). Mas não chegou a ser muito questionado que em pesquisa do Ibope de 30/nov. esse “gap” havia sido de 21%, portanto quase 11% maior que a Sensus anterior, que apontara 10,1%. Também não se deu atenção à Datafolha de 13/ago., cujo “gap” de 19% fora também maior que os 9% da Vox Populi anterior. Em todos esses casos houve uma diferença de 7 a 10 dias entre os períodos finais de coleta de dados.

Uma oscilação desse porte  não é para se estranhar tanto. Se a campanha é polarizada não se trata de uma “corrida”, onde cada um teria resultados individuais, mas é mais um “cabo-de-guerra”, onde um tira intenções de voto do outro. Se apenas 5% mudar de lado, isso altera em 10% o “gap”. Afinal, 1 eleitor em 20 mudar de opinião a cada 10 dias não é algo impossível. Se fosse, ninguém faria campanha justamente com esse objetivo…

Mas é curioso notar que na maioria das vezes que a candidatura Serra alarga rapidamente o “gap”, o instituto que divulgou foi Datafolha ou Ibope. A recíproca é verdadeira : na maioria das vezes em que Dilma se aproximou rápido de Serra, o instituto que apontou o fato foi Sensus ou Vox Populi. Os partidos (ou contratantes das pesquisas) tendem a atribuir isso a falhas metodológicas do “instituto dos outros”.

Mas pode ser outro o caso : é possível fazer aferições simplificadas de tendências por telefone (mas sem determinar a posição relativa) e com isso escolher um momento oportuno para realizar o levantamento, pois as oscilações do eleitorado existem de fato. Aí fazer o registro no TSE e preencher formulários, já que a data para divulgação é a partir de 5 dias deste, não da coleta de dados. Uma ideia para garantir maior isenção seria o TSE exigir um prazo dilatado entre o registro e a coleta de dados, mas do modo que está, quando uma pesquisa é encomendada e registrada, pode ser intuído o seu resultado, ainda que com algumas surpresas.

Em resumo : se alguém conhecer as tendências de curto prazo do eleitorado (por monitoração telefônica e acompanhamento crítico do noticiário); se souber quais subgrupos se posicionam mais por este ou aquele; se escolher datas adequadas para a coleta; terá chance de captar os momentos favoráveis dentro da tendência geral.

Essa é uma hipótese para explicar um fenômeno pitoresco : houve 25 pesquisas nos últimos 12 meses. Em 8 das 12 realizadas por Ibope e Datafolha a diferença a favor de Serra aumentou em relação a pesquisa imediatamente anterior (qualquer que seja o instituto); em 10 das 13 realizadas por Vox Populi e Sensus a distância que separa Dilma de Serra diminuiu.

vai pra onde agora?

Essa “regra” foi válida para 8 das 10 pesquisas deste ano. Agora é aguardar as próximas Vox Populi e Sensus.

6 comentários sobre “Cabo-de-guerra nas pesquisas

  1. Tipo assim, mata a cobra e mostra o pau (risos). Tá claro que esse é o jogo. Agora a pergunta de um milhão de doláres, é se vale a pena a gente desperdiçar o nosso tempo com esses caras?

    Eu tô quase chegando a conclusão que não. Mas observe, se não estivesse acompanhando isso, não perceberiamos isso.

    Sinceramente esperava que nesse momento estivessemos discutindo mais o Brasil.

    Parece que qdo o Lula antecipou a campanha, ele antecipou tudo mesmo. Mas o problema é que a data das eleições continua a mesma.

    Pelamordedeus, estamos em abril !!!!

      1. Os presidenciaveis sao instituições. Sao polos de concentração de forças organizadas ou nao da sociedade. Eles tem um compromisso SUPERIOR com o presente e o futuro.

        Nesse sentido, não é aceitavel que permitam que seus comandos de campanha ficam reduzidos a esse debate.

        Temos muito a discutir sobre o futuro do Brasil. Esse é o papel deles.

        A gente nao. Somos só blogueiros…

      2. Ah, sim. Mas isso é o problema do presidencialismo do continente americano. Especialmente no Brasil onde nao há voto distrital e há muitos partidos. Nos EEUU a coisa está melhor organizada.

        No regime parlamentar os partidos fazem a discussão de programas, os líderes os expõem ao público. E são os partidos que são eleitos, não o nome da pessoa, que pode ser substituído em curso. No Brasil esperamos muito de uma pessoa que não necessariamente terá o poder em mãos…

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