Aecio e a arapuca


Como eu ia dizendo. Montaram uma arapuca bem montada para o mineiro. A pressão pra ser o vice do Serra virou uma avalanche. Hj ele disse que: “-Sequer cogita essa hipótese.” Está tentando fugir da arapuca. Antes fosse simples assim.

Mas já uma reação rápida, à enxurrada de artigos, notas e entrevista pró-chapa puro-sangue. Mas vai precisar de mais que isso. Vai ter que repetir diariamente isso sem dar a entender que irá fazer corpo-mole em Minas.

Agora a escolha dos vices fica mais importante a cada dia.  Um comentarista, acredito que mineiro, disse que ao invés da chapa José Serra-Katia Abreu, seria José Serra-Itamar Franco. Faz sentido, recuperaria Minas, mas o DEM, mesmo fragilizado por causa dos panetones aceitariam ceder a vice para o PPS?

A cúpula do DEM, que não é boba nem nada, sentiu o cheiro de queimado e reagiu na mesma velocidade que a cúpula do PMDB em relação à “lista tríplice” do Lula. Recapitulando: A lista tríplice é um eufemismo do Lula pra trocar o Temer pelo Meirelles e obter o apoio maciço da centro-direita, principalmente o capitalismo financeiro.

E o DEM sabe que sair de 2010 e não ter a vice-presidência e nem um Governador é o mesmo que a extinção política.


Folha de S.Paulo – São Paulo – Fernando de Barros e Silva: A questão mineira – 19/12/2009

FERNANDO DE BARROS E SILVA

A questão mineira

SÃO PAULO – Tudo o que o governo não quer e mais teme é disputar a eleição contra uma chapa que tenha Aécio como vice de Serra. O governador de Minas é o primeiro a saber disso. E sabe também que daqui em diante será grande a pressão dos tucanos para que ele se convença a compor a chapa puro sangue.

Mas por que Minas Gerais parece tão importante no jogo que vai se armando para 2010? Primeiro, porque é o segundo maior colégio eleitoral do país. Reúne, hoje, mais de 14 milhões de eleitores, cerca de 11% do eleitorado nacional, mais ou menos a metade do que há em SP.
Nas últimas eleições, os mineiros não mostraram entusiasmo pelos tucanos paulistas que concorriam à Presidência. Em 2002, Serra teve no Estado 33,6% dos votos, contra 66,4% de Lula. Em 2006, Geraldo Alckmin terminou com 34,8% em Minas, contra 65,2% de Lula.

Nas duas ocasiões, disputando o governo, Aécio venceu ainda no primeiro turno -com 57,7% em 2002, com incríveis 77% em 2006. Prevaleceu o que se batizou de “Lulécio”.

Agora, inclusive em razão de sua localização geográfica, Minas se torna uma metáfora física da divisão do país. Numa visão sem dúvida simplificadora, mas lastreada na realidade e de forte apelo simbólico, projeta-se uma disputa com vantagem da oposição tucana de São Paulo para baixo e com domínio do governo petista do Rio para cima. Minas seria o fiel da balança.

Sem Aécio na vice, os tucanos devem ter imensos dissabores na terra de Tancredo. Mas o raciocínio do mineiro sobre a mesma questão pode ser outro: se o PSDB derrotar Dilma, a vitória terá sido de Serra; se for batido, Aécio perde junto. Em troca de que, então, desperdiçar a vaga certa ao Senado e sacrificar a campanha ao governo de seu atual vice, Antonio Anastasia?

Serra terá que se lançar sem nenhuma garantia de que Aécio se juntará a ele. Mais: terá de enfrentar dos mineiros a reação que um taxista de Belo Horizonte resumiu assim: -São Paulo não quer deixar o Aécio ser nosso presidente…

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