Muito pelo Contrário

06/11/2009

O Câmbio, finalmente

Arquivado em: economia — fscosta @ 08:06
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Este post é só um clipping das matérias sobre as mudanças cambiais feitas, e as que virão. Finalmente, o Governo resolveu enfrentar o seu último grande problema econômico, o câmbio valorizado.

Enfim, atravessou o Rubicão Econômico. Falta o político.

Vamos ver no que dá. Mas só da discussão ter chegado aos jornalões já é alguma coisa.

Brasil quer câmbio flutuante no G-20 – Economia – Estadão.com.br

Brasil quer câmbio flutuante no G-20

 

Alvo maior da iniciativa é a China, que atrela moeda ao dólar

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, LONDRES

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O governo brasileiro vai defender hoje, na reunião ministerial do G-20, na Escócia, um padrão único de gestão do câmbio por todas as maiores economias do mundo. Mais: pregará que o modelo escolhido seja o câmbio flutuante, adotado pelo País desde 1999. O objetivo é “homogeneizar” o fluxo global de moeda, evitando a sobrevalorização excessiva, da qual o real tem sido vítima nos últimos meses, se comparado com o dólar, o yuan e até o euro. A iniciativa tem como alvo maior a China, que atrela a valorização da moeda ao dólar.

As revelações foram feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no fim da manhã de ontem, em Londres, em meio ao seminário FT Investing in Brazil Summit. A ideia do ministro é adicionar à proposta dos Estados Unidos, que incluía a regulação dos desequilíbrios comerciais e o acúmulo de reservas, o que chama de “desequilíbrios de câmbio”. “Temos um desequilíbrio cambial porque os países têm comportamentos diferenciados em relação ao câmbio. Alguns, como o Brasil, praticam o câmbio flutuante, enquanto outros praticam a administração cambial. Vamos sugerir mais homogeneidade. Ou todo mundo pratica o câmbio administrado, ou todo mundo pratica o câmbio flutuante.”

De acordo com Mantega, a delegação brasileira – que terá a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles – defenderá a escolha do câmbio flutuante. “O Brasil já se deu mal com o câmbio administrado. O câmbio flutuante tem vantagens, porque permite ao mercado regular melhor o fluxo de capitais.” O ministro também afirmou que o atual cenário cambial internacional, misto, “pode ser benéfico para alguns países, mas prejudicial para outros”. “Neste momento, quem mais se prejudica são os países mais sólidos, que oferecem maiores oportunidades de investimento, de rendimento e de perspectiva de commodities”, uma alusão ao Brasil.

O alvo da medida é a China. De acordo com o relatório do banco Goldman Sachs, o real se valorizou 50% ante o yuan nos últimos 12 meses. “A moeda chinesa está atrelada ao dólar. Como a moeda americana se desvaloriza, a chinesa se desvaloriza. Isso gera desequilíbrio cambial”, analisa. “Se a China tivesse câmbio flutuante, teríamos uma moeda mais valorizada e os capitais migrariam para lá também, e menos no Brasil. Então haveria mais homogeneidade.”

Além da padronização do sistema de câmbio, Mantega defendeu uma política de controle de liquidez mais equilibrada, o que evitaria a sobrevalorização do real ante o dólar, que chega a 51%. Para o ministro, o “excesso de liquidez também acaba sobrando para países mais sólidos e com bolsas mais avançadas, como o Brasil, a Austrália e a Nova Zelândia”. Segundo Mantega, se a economia internacional adotar um padrão de câmbio e houver controle de liquidez, “já se resolve o problema”.

Demanda para os dólares — Portal ClippingMP

Demanda para os dólares
Celso Ming – Celso Ming
O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

 

Há pouco mais de uma semana, os jornais vêm noticiando que o governo pretende tomar decisões que ajudem a conter a entrada maciça de moeda estrangeira e, assim, deter o mergulho do dólar no câmbio interno.

A economia brasileira enfrenta um problema cambial de sinal contrário. No passado, o drama era a falta de dólares. O País era tão dependente do que então se chamava “entrada de divisas externas” que qualquer desarranjo na economia provocava fuga de moeda estrangeira, disparada do dólar no câmbio interno e o pandemônio que a isso se seguia.

O problema de agora é de outra natureza. Não é de falta de dólares, mas de excesso. E a solução não é atrair capitais, como no passado, mas encontrar demanda para a moeda estrangeira.

Antes de prosseguir, vamos à palavra excesso utilizada anteriormente. O governo tem hoje uma posição ambivalente sobre o capital estrangeiro. Quer e ao mesmo tempo não quer. Precisa quase desesperadamente de recursos externos, mas não aceita as consequências. Precisa de capitais para o pré-sal, que vai levar mais de meio trilhão de dólares em investimentos apenas na primeira fase; para o PAC, para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada; e para a capitalização da Petrobrás, do Banco do Brasil e das empresas brasileiras que precisam ganhar densidade. Por outro lado, o mesmo governo teme pelo impacto que a forte entrada de capitais exerce sobre o câmbio nacional. Portanto, do ponto de vista das necessidades, não há excesso. Pode-se dizer que há excelente oportunidade para aproveitar o que vem chegando, pois o mundo está inundado de dólares e tão logo o dilúvio não irá se reverter, como vêm afirmando os grandes bancos centrais.

Se não há o que chegue em dólares para os projetos que estão sobre a mesa, caberia aceitar também as consequências de acolhê-los, entre as quais a tendência à forte valorização do real. Mas qual o quê… como diz a música do Chico.

As ideias disponíveis de como arrumar mais demanda para a abundância de dólares não são lá essas coisas. Pode-se, por exemplo, permitir que fundos de pensão e fundos de investimento apliquem recursos lá fora e, assim, sejam obrigados a comprar dólares para remetê-los. Mas uma das razões pelas quais os dólares vêm para cá é a de que as oportunidades à rentabilidade estão aqui. Por que, então, os fundos fariam investimentos lá fora se também estão atrás de resultados?

Outra proposta é permitir depósitos em dólares na rede bancária local. Não é uma saída prática. Exigiria que os bancos mantivessem reservas (depósito compulsório) e supervisão na moeda americana. Além disso, o que os bancos fariam com os dólares depositados aqui nos seus caixas e como casariam ativo e passivo?

Bons especialistas em câmbio há centenas no Brasil. Todos têm lá uma ideia sobre o que fazer. Mas ainda não apareceu nenhuma solução salvadora. O governo poderá tomar decisões aos montes. Concorrerão certamente para a modernização do mercado de câmbio no País, que ainda opera com leis dos anos 30.

Mas serão meia dúzia de canequinhas que tentarão retirar água da enchente. Ou seja, farão pouca diferença para o montão de dólares que, de mais a mais, o governo precisa para o pré-sal, para o PAC…

Confira

Torneirinhas – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que a entrada de dólares para subscrição de ações novas pode ficar isenta do IOF de 2%.

É o reconhecimento de que o imposto atrapalhou os planos de capitalização da Petrobrás e de outras empresas brasileiras. É a primeira torneirinha a ser reaberta. Virão outras?

O problema vai ser separar o capital que virá para comprar ações novas do que virá para comprar ações já existentes. Pode simplesmente acontecer que o investidor estrangeiro venda as ações novas na primeira semana e reaplique seu capital em ações já existentes.

Medidas para conter o real — Portal ClippingMP
Medidas para conter o real
Novas medidas para conter alta do real
Autor(es): Vicente Nunes
Correio Braziliense – 06/11/2009

 

Governo deve permitir que Tesouro passe a comprar dólares no mercado para pagar dívida externa. Por outro lado, pode isentar lançamento de ações da taxação de 2%

O Ministério da Fazenda decidiu se antecipar às mudanças na legislação que está sendo estudada pelo Banco Central e deve anunciar, em breve, novas medidas para conter o forte processo de valorização do real frente ao dólar — ontem, a moeda americana voltou a cair 0,46%, cotada a R$ 1,742. Em dois pontos já há consenso. O primeiro dará liberdade ao Tesouro Nacional para comprar, antecipadamente e sem limite de prazo, dólares no mercado para o pagamento de dívida externa. Hoje, a aquisição só pode ser feita antecipadamente para débitos com vencimento em até 360 dias. A tendência é de essa medida ser estendida a empresas do setor privado.

O segundo ponto também envolve o Tesouro. O governo quer retomar a emissão de títulos da dívida pública em reais. Os papéis serão vendidos no mercado internacional e o dinheiro captado não, necessariamente, terá que entrar no Brasil. O último lançamento de papéis corrigidos em reais pelo Tesouro foi feito em 2007, quando o mundo sequer discutia a possibilidade de uma crise mundial. Pelos cálculos do governo, há, hoje, um estoque de R$ 10,2 bilhões em títulos em reais, o correspondente a 13% da dívida externa pública. “São medidas muito boas, que representam o avanço, pois não são intervencionistas, como o IOF cobrado dos investidores estrangeiros em bolsa e em renda fixa”, disse o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto.

Há, ainda, a possibilidade de o Fundo Soberano do Brasil (FSB), criado no ano passado, ser autorizado a comprar dólares no mercado, em operações complementares às do Banco Central. O fundo tem hoje patrimônio de R$ 16 bilhões. Apesar de contar com o aval do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a medida não é bem-vista no BC. Os técnicos do banco alegam que as operações do fundo injetariam um volume adicional de reais no mercado, que teria que enxugar por meio da venda de títulos públicos. O BC também não quer abrir mão da exclusividade das compras. Neste ano, já arrematou US$ 21 bilhões.

Fundos

A despeito das medidas emergenciais para conter o excessivo movimento de valorização do real, como foi a criação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre o capital estrangeiro, a intenção do governo, liderada pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, é fazer uma ampla liberalização do mercado de câmbio. Já estão na mesa de debates a autorização para que os fundos de investimentos possam destinar até 10% dos R$ 1,3 trilhão em patrimônio para aplicações no exterior, a liberdade para os bancos comprarem ativos financeiros fora do país e a permissão para que os brasileiros possam ter contas em dólares. “Quanto mais desregulamentação houver no aparato cambial, melhor será para o país”, afirmou o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.

Os economistas chamaram ainda a atenção para a proposta feita pela BM&FBovespa ao Ministério da Fazenda, para que possa transferir para o exterior cerca de R$ 8 bilhões que os estrangeiros têm depositado na bolsa como garantia de operações nos mercados futuro e de opções. Também é grande a torcida para que o BC autorize os bancos a emitirem debêntures, títulos de longo prazo, para captar recursos que serão destinados, principalmente, ao crédito consignado. Hoje, a maior parte dos empréstimos com desconto em folha é bancada por dinheiro tomado no exterior, onde os juros são menores.

CALOTE DERRUBA LUCRO DA CAIXA EM 38%
A determinação do governo para que a Caixa Econômica Federal pisasse fundo no acelerador do crédito custou caro ao banco. De janeiro a setembro deste ano, a instituição foi obrigada a provisionar R$ 2,530 bilhões para cobertura de créditos de difícil liquidação, ou seja, com risco de calote. Esse volume é 77% maior do que o registrado no mesmo período de 2008, quando as provisões somaram R$ 1,428 bilhão. Com isso, o lucro líquido da Caixa nos nove primeiros meses do ano desabou 37,91% em relação a igual período do ano passado. O ganho da instituição neste ano totalizou R$ 2,027 bilhões, contra R$ 3,265 bilhões de janeiro a setembro de 2008. No terceiro trimestre de 2009, a Caixa lucrou R$ 870 milhões. (VN)

O número
Moeda
R$ 10,2 bilhões
Estoque de títulos em reais correspondente a 13% da dívida externa pública

Exceção na cobrança do IOF

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou aos agentes de mercado a possibilidade de isentar os investidores estrangeiros do pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% nos lançamentos de ações (IPOs, na sigla em inglês). De início, Mantega se mostrou resistente ao pedido do presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, mas foi convencido por empresários de que o dinheiro captado por meio dessas emissões é fundamental para a retomada dos investimentos produtivos. A quinta-feira foi positiva no mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 1,4% ontem, influenciada pela alta de 2% na Bolsa de Nova York. O principal motivo foi o crescimento da atividade industrial nos EUA, onde também houve queda no número de pedidos de seguro-desemprego.(VN)

Na mesa de decisão

O que a área econômica estuda para conter a entrada de dólares no país

Compra antecipada de dólares: o Tesouro Nacional poderá adquirir, sem limite de tempo, a moeda americana para pagar dívidas com vencimento além de um ano. Hoje, as compras antecipadas se limitam a pagamentos de débitos vencendo em, no máximo, 360 dias. A medida deve ser estendida ao setor privado

Emissão em reais: o Tesouro Nacional retomará a emissão de títulos da dívida externa em reais para venda no mercado internacional. A última emissão desses papéis ocorreu em 2007

Fundo Soberano: o Ministério da Fazenda quer que esse fundo também possa comprar dólares no mercado, o que seria um complemento às ações do Banco Central

Fundos de investimentos: há a possibilidade de que os fundos possam aplicar até 10% do seu patrimônio em ativos no exterior. Esses fundos detêm R$ 1,3 trilhão em ativos

Bancos: as instituições financeiras nacionais poderão aplicar no exterior. Mas isso exigirá um controle de risco maior por parte do Banco Central, para que os bancos não se metam em aventuras, como os subprimes, dívidas de péssima qualidade que originaram a atual crise mundial

Debêntures: o Banco Central deve autorizar os bancos a emitirem debêntures, títulos de longo prazo, para financiar o crédito consignado. Hoje, grande parte dessas operações é bancada com recursos captados por instituições no exterior

Garantias das bolsas: representantes do mercado propuseram ao Ministério da Fazenda transferir para o exterior cerca de R$ 8 bilhões que os estrangeiros são obrigados a depositar como garantias para suas operações na BM&FBovespa

Contas de pessoas físicas em dólar: é vista como a última etapa do processo de modernização da lei cambial, que está sendo feita pelo Banco Central. Os brasileiros poderiam ter contas em dólar no país

O QUE JÁ FOI FEITO

IOF de 2%: em 19 de outubro, o Ministério da Fazenda taxou o ingresso de investimentos estrangeiros destinados às bolsas de valores e à renda fixa (títulos públicos, principalmente)

Fundos de pensão: o Conselho Monetário Nacional autorizou às fundações de previdência complementar aplicarem até 10% de seu patrimônio no exterior

Fundos exclusivos: destinados a clientes com mais de R$ 1 milhão, esses fundos podem aplicar até 100% do patrimônio fora do país

Compras do BC: o Banco Central intensificou o processo de aquisição de dólares no mercado para tentar contar a alta do real. Neste ano, o BC já arrematou US$ 21 bilhões, destinados às reservas internacionais do país

Exportadores: as empresas podem deixar por até um ano no exterior 100% dos dólares recebidos de clientes de fora do país. É o que o mercado chama de cobertura cambial

”Brasil aprendeu com erros do passado” — Portal ClippingMP
”Brasil aprendeu com erros do passado”
Autor(es): Leandro Modé

O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oreiro defende as medidas do governo para conter a valorização do real.

Até agora, o IOF de 2% foi insuficiente para provocar uma valorização do dólar ante o real. A alíquota é baixa ou são necessárias outras medidas complementares?

Essa medida é incompleta. Faltam outras coisas. Uma medida complementar importante seria o Banco Central baixar uma norma limitando a exposição cambial dos bancos brasileiros. Hoje, esses bancos estão atuando para puxar a cotação do dólar para baixo.

O Banco Central prepara mudanças na legislação cambial. Esse tipo de medida pode ajudar a conter a valorização do real?

Pelo que vi até agora, as medidas estudadas pelo Banco Central vão justamente na direção contrária do que o Ministério da Fazenda e economistas como eu pensamos. O que o BC pensa é aumentar o grau de abertura da conta de capitais brasileira. Por exemplo: permitir que estrangeiros tenham depósitos em dólar no Brasil. Isso é inócuo sobre a taxa de câmbio. Esse tipo de medida é apenas um passo no caminho da dolarização da economia brasileira, do abandono do real como moeda nacional.

Taxar com IOF renda variável foi um equívoco?

Não, foi correto. É preciso que os controles de capitais sejam abrangentes. Para evitar e reduzir os “dribles” da legislação, é preciso fazer um controle abrangente. Portanto, taxar a renda variável é uma atuação nesse sentido.

Isso não pode afugentar captações de empresas?

Dizer que um impostozinho de 2% vai ter impacto significativo sobre o investimento no Brasil é balela. Além disso, vários estudos empíricos têm demonstrado que a poupança externa tem impacto negativo sobre o crescimento de longo prazo.

O Brasil não está pagando o preço do próprio sucesso e, por isso, não é um contrassenso adotar esse tipo de medida?

O sucesso pode trazer as raízes de sua própria destruição. Temos de ter cuidado porque, geralmente, nas fases em que a economia vai bem, vão se introduzindo “vírus” que vão preparando uma crise. Era esse perigo que o Brasil corria com a valorização do câmbio. Se a gente ver a história de todos os países da América Latina dos anos 70 para cá, vemos um padrão similar: mudança favorável de expectativas, entrada brutal de capitais, valorização do câmbio, aumento artificial do salário real e bolha de consumo. Enfim, euforia. Até que chega o momento, quando o déficit em conta corrente está elevado, de nova mudança de expectativas, só que para o outro lado. Aí vem a parada súbita de financiamento externo e crise no balanço de pagamentos. Parafraseando o ex-ministro Antonio Palocci, o Brasil aprendeu, não vai cometer os mesmos erros do passado.

”Câmbio só muda com política fiscal” — Portal ClippingMP

”Câmbio só muda com política fiscal”
Autor(es): Fernando Dantas
O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

O estrategista do banco WestLB no Brasil, Roberto Padovani, é cético em relação às medidas para conter a valorização do câmbio. Ele acha que, para tanto, seriam necessárias mudanças na política fiscal.

É possível controlar o câmbio com medidas como as que o governo está tomando?

Os efeitos são muito limitados. No caso do IOF e das medidas administrativas de modo geral, o País perde, porque não evita a trajetória de valorização cambial, que é explicada por outros fatores. Mas aumenta o risco regulatório, a incerteza quanto às regras. Com as possíveis iniciativas do Banco Central, não prevejo mudança significativa no câmbio, mas é um avanço, que tornaria as regras no mercado cambial mais claras. De modo geral, a liberalização de fluxo de comércio e de capital implica em algum momento aumento de produtividade da economia. Nesse sentido, a agenda do BC é um pouco mais positiva do que a da Fazenda. Mas ambas não implicam mudança no cenário cambial de curto prazo.

O que poderia ser feito?

Sinto falta de um debate – e não vejo o governo propondo essa discussão – sobre o que gera competitividade na economia brasileira. Para mim, ela está ligada à carga tributária, à infraestrutura de modo geral e à incerteza regulatória. Mas a discussão que ouço por aí é bem diferente. O ministro (Guido) Mantega deu a entender que, se não fosse pelo câmbio, a competitividade brasileira seria a chinesa. É um debate no lugar errado, que está sendo colocado pelo gestor de política econômica. Pode-se dizer que o Banco Central tem visão diferente da do Ministério da Fazenda, mas ambos só discutem câmbio. É uma pena.

Mas haveria uma política pública que pudesse alterar o câmbio?

Se quiser abordar a questão cambial, tem de atacar problemas muito mais profundos, como a política fiscal e a competitividade. A segunda permitiria que competíssemos melhor para um determinado nível de câmbio, e está ligada aqueles fatores que eu já mencionei.

Como a questão fiscal se liga ao câmbio?

Quanto mais se expande a atividade local, com impulso fiscal e monetário, e quanto menor o nível de poupança – há despoupança pública e baixa poupança privada no Brasil, – mais se precisa de poupança externa para financiar esse aumento de consumo doméstico. Precisa-se de capital externo, e assim uma política fiscal e monetária muito expansiva atrai capitais para o Brasil e aprecia o câmbio. A política fiscal, ao empurrar a economia – e dado os limites do nosso crescimento potencial -, força a política monetária a fazer o contraponto, levando a uma taxa de juros maior para compensar o estímulo fiscal. Essas taxas mais altas atraem mais capitais e reforçam a valorização.

”Queremos impedir uma atração fatal” — Portal ClippingMP

”Queremos impedir uma atração fatal”

O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a preocupação com a valorização do real tem o objetivo de evitar uma “exuberância irracional” no Brasil, referindo-se ao termo cunhado pelo ex-presidente do Fed Alan Greenspan. Para ele, a criação de bolhas especulativas nos emergentes, como vem alertando o economista Nouriel Roubini, pode ser evitada, com a adoção das medidas necessárias. “Queremos impedir o excesso de atração fatal em relação ao Brasil.” O ministro citou estudo do Goldman Sachs apontando sobrevalorização de 50% do real ante o dólar e o yuan. Sem essa sobrevalorização, a economia brasileira seria mais competitiva do que a da China.

“Queremos os investimentos externos e os IPOs, mas não queremos bolhas nos mercados de capitais.” Ele citou o avanço dos volumes financeiros da bolsa nos últimos anos. “Estou vendo ali o presidente da bolsa, que sorri quando olha os dados de volume”, disse Mantega, referindo-se ao presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, que estava na plateia.

Governo prepara ajustes no IOF — Portal ClippingMP

Governo prepara ajustes no IOF
Autor(es): Adriana Fernandes,
O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve aceitar a proposta do presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, de retirar a taxação do IOF nas chamadas operações de IPO (primeira oferta de ações de uma empresa na Bolsa de Valores). O governo pode ainda aumentar a alíquota do IOF sobre as outras aplicações financeiras caso o dólar se desvalorize ainda mais em relação ao real, segundo apurou a Agência Estado

Os investimentos financeiros de estrangeiros foram taxados para conter a entrada de dólares e evitar maior valorização do real. Mas os IPOs podem ser poupados do novo imposto para evitar que as empresas percam uma importante fonte de recursos para investimentos. Uma fonte do Ministério da Fazenda revelou que Mantega condiciona a flexibilização de alguns pontos do decreto a um apoio da bolsa à manutenção do IOF nas demais operações.

A taxação dos investimentos ocorre em um momento de forte pressão no câmbio. Em outubro, entraram no Brasil US$ 14,6 bilhões a mais do que os recursos enviados para o exterior – segundo maior resultado mensal em 27 anos. O número foi inflado pela oferta de ações do banco Santander, mas mesmo sem essa operação o resultado já seria muito alto.

Preocupado com a entrada de dólares e a forte valorização do real, no dia 20 o governo taxou as operações financeiras de investidores estrangeiros. Desde então, a entrada de dólares diária caiu 75%, mas o governo avalia que passado o susto os investidores voltarão a trazer muitos recursos para o País. E, por isso, estuda novas medidas para o câmbio – além de um eventual aumento da alíquota do IOF.

Uma das medidas em estudo é permitir que as garantias das operações feitas por estrangeiros, que hoje são depositadas no País, possam ser mantidas no exterior – outra sugestão da BM&F Bovespa. Há um estoque de US$ 9 bilhões de garantias, vinculadas às operações com derivativos e opções de ações, que poderiam ser deixadas no exterior, contribuindo para conter o impacto baixista desses aplicações na cotação do dólar.

Segundo a fonte, já existe um acordo entre a bolsa paulista e a bolsa de Chicago que poderia viabilizar a medida. Entretanto, ela está sendo avaliada pela área jurídica do Ministério da Fazenda, pois é preciso assegurar a internalização das garantias, caso seja necessário executá-las.

A discussão sobre o ajuste no decreto será intensificada na próxima semana, quando Mantega retorna ao Brasil. A avaliação na equipe da Fazenda é que a taxação do IOF foi bem-sucedida e mudou o jogo das expectativas em relação ao câmbio, além de levar o Banco Central a uma posição mais agressiva nas discussões de medidas cambiais, que estavam “congeladas” desde 2007, quando foram feitas as últimas revisões importantes na legislação. O elemento “surpresa” passou a ser um ingrediente adicional a favor do governo.

Para a equipe do ministro, a Fazenda vem recebendo apoio internacional e interno “de peso”. Isso estimulou Mantega a bancar o discurso em favor da uma ação internacional coordenada contra a desvalorização do dólar. Os assessores de Mantega citam o artigo publicado no jornal Financial Times, na semana passada, pelos acadêmicos Arvind Subramanian e John Williamson, do Peterson Institute. Para eles, a taxação dos recursos externos com o IOF foi “muito importante, substancial e simbólica”.

O valor simbólico, segundo os economistas, foi sinalizar o fim de uma era na qual os mercados emergentes estavam enamorados pelo financiamento estrangeiro, e expressar o compromisso com medidas para moderar o fluxo de capital.

Lula quer unir BC e Fazenda no câmbio — Portal ClippingMP

Lula quer unir BC e Fazenda no câmbio
Autor(es): Adriana Fernandes e Fabio Graner,

O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer uma ação mais coordenada entre Banco Central e Ministério da Fazenda nas discussões e ações de política cambial. No primeiro embate entre as duas áreas de governo, Lula reforçou a posição da Fazenda, que, na prática, divide com o BC a gestão da política cambial. Lula deseja evitar descompassos que possam resultar em incertezas em relação à política brasileira de atração de capitais externos.

A orientação de Lula não muda. Ele quer manter os estímulos aos capitais de longo prazo que entram no País para investimento, mas não concorda com a avalanche de recursos apenas em busca do ganho financeiro. A percepção do governo é que não há uma medida única capaz de resolver o imbróglio cambial. Por isso, uma sintonia entre BC e Fazenda nas decisões passou a ser indispensável.

Segundo a Agência Estado apurou, Lula foi informado de que até dados importantes para avaliar o quadro econômico não são trocados entre as equipes do BC e da Fazenda. Essa situação desagrada o presidente porque pode tornar mais custoso o processo de transição do real ao nível de moeda mais forte no cenário internacional. O governo sabe que a questão é complexa até porque o real forte é uma realidade.

Economistas do governo dizem que medidas isoladas podem não fazer grande diferença, mas em conjunto podem reduzir a pressão de valorização do real. O que diferencia o debate atual é a tendência de a Fazenda atuar por medidas pontuais, de caráter mais intervencionista, enquanto as medidas do BC vão buscam a desregulamentação das normas cambiais e aceleração dos acordos internacionais de pagamento com moeda local, como está sendo discutido com China, Rússia e Índia.

Ao autorizar Mantega a taxar o ingresso de capitais com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Lula fortaleceu a ação do ministério na coordenação das expectativas em relação à condução da política cambial, antes reservada ao BC. Com a possibilidade de “calibrar” para baixo ou para cima a alíquota do IOF, a Fazenda, segundo setores do governo e do mercado, pode anular o poder do BC na administração da volatilidade do câmbio.

Segundo uma fonte da Fazenda, a falta de coordenação das políticas cambiais dos vários países força o governo a ter uma atitude mais intervencionista – mas sem mudar o regime. “O câmbio é flutuante”, disse a fonte. Mas a avaliação é que um sistema de flutuação pura só tem sentido quando todos países operam da mesma forma. A China tem taxa administrada e desvalorizada e o dólar está em queda desde que a crise se acalmou. Por isso, Mantega vai defender na reunião do G-20, neste fim de semana na Escócia, uma maior articulação entre os integrantes do grupo. O ministro e sua equipe sabem que a proposta é de difícil execução.

“Não podemos assistir passivamente à queda do dólar ante o real. O Brasil defendeu a economia. Sem o IOF, o câmbio estaria indo para R$ 1,40. Estava ocorrendo uma bolha, um processo especulativo”, disse a fonte.

A fonte destaca que o governo não tem meta para o câmbio, como setores do mercado interpretaram as declarações do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, que estimou uma taxa de câmbio de equilíbrio para o dólar em torno de R$ 2,10 ou R$ 2,12. Embora diga que na Fazenda ninguém “ficaria triste” se essa fosse a taxa hoje, ela é considerada apenas um “exercício acadêmico”, e não um alvo.

Por que o yuan precisa se valorizar — Portal ClippingMP
Por que o yuan precisa se valorizar
Autor(es): MARTIN FELDSTEIN
Folha de S. Paulo – 06/11/2009

Um yuan mais forte reduziria o desequilíbrio doméstico da China e os desequilíbrios globais

LÍDERES GLOBAIS concordam que reduzir os desequilíbrios mundiais é uma prioridade.

Na prática, isso significa reduzir o deficit em conta-corrente de US$ 500 bilhões dos Estados Unidos e fazer encolher o superavit de US$ 350 bilhões da China. Todos os outros desequilíbrios em conta-corrente têm importância menor, comparados a esse.

Como um superavit em conta-corrente é a diferença entre a poupança de um país e os investimentos, esse consenso significa que os EUA precisam aumentar sua poupança nacional para depender menos de dinheiro estrangeiro. A China precisa elevar seus gastos domésticos para conservar o alto índice de emprego, sem exportar tanto.

Avanços estão sendo obtidos. O índice de poupança das famílias americanas subiu, movido pela necessidade que as famílias têm de reconstruir sua riqueza. Os lucros das empresas também estão começando a subir. Mas o aumento na poupança privada não basta para elevar a poupança nacional dos EUA se os deficit federais continuarem altos.

A China conseguiu elevar seus gastos domésticos por meio de incentivos fiscais e um crescimento explosivo do crédito. Os gastos reais dos consumidores chineses saltaram 15% nos últimos 12 meses. O governo chinês também gastou mais, com grandes aumentos nos investimentos em infraestrutura e com a construção de moradias.

Contudo, embora essas duas mudanças sejam necessárias para reduzir os desequilíbrios globais, não são o bastante. Também é necessário um ajuste nas taxas de câmbio.

O dólar precisa cair em relação a outras moedas para que os produtos americanos se tornem mais atraentes para os compradores estrangeiros e para levar os americanos a comprar bens e serviços americanos, em vez de importados. Sem isso, a alta nos gastos domésticos não fará mais do que enfraquecer a economia americana e elevar o desemprego. É por isso que a queda recente do dólar diante do euro, do iene e de outras moedas constitui parte natural e desejável do processo de redução do deficit comercial dos EUA e dos desequilíbrios globais.
Infelizmente, o governo chinês não vem deixando o yuan se valorizar. Com o dólar caindo em relação às outras grandes moedas, o câmbio fixo do yuan ante o dólar vem levando a divisa chinesa a cair em relação ao euro, ao iene e a outras moedas.

Com isso, o valor ponderado do yuan vem declinando, tornando os produtos chineses exportados mais atraentes e encarecendo os produtos estrangeiros vendidos na China.

O resultado tem sido um aumento nas exportações chinesas. Isso ajuda a elevar o PIB e o nível de emprego na China, mas impede que sejam reduzidos os desequilíbrios globais.

A política chinesa de manter o yuan fraco faz o dólar dos EUA ter de cair mais rapidamente ante o euro, o iene e outras moedas para alcançar a mesma queda ponderada do dólar.

Assim, a política da China de conservar o yuan fraco não só impede que seja corrigido o grande superavit em conta-corrente chinês como reduz as exportações europeias.

A política da China de ampliar os gastos domésticos e, ao mesmo tempo, manter o yuan baixo vai levar ao superaquecimento de sua economia, especialmente de seu setor manufatureiro.

Permitir que o yuan subisse deslocaria a demanda na China do setor manufatureiro para o de serviços, prevenindo a inflação. Assim, um yuan mais forte reduziria o desequilíbrio doméstico da China e os desequilíbrios globais.

Felizmente, a economia chinesa se encontra em rápida expansão, e seu crescimento está ficando menos dependente das exportações. Quando ela tiver a confiança necessária para deixar o yuan subir, estaremos no caminho para uma redução dos desequilíbrios globais.

Prazo de compra de dólar pode cair — Portal ClippingMP

Prazo de compra de dólar pode cair
Autor(es): Fabio Graner,

O Estado de S. Paulo – 06/11/2009

O governo estuda flexibilizar o prazo para a compra antecipada de dólares destinados a pagar a dívida externa privada e pública. Essa é uma das propostas em discussão dentro da estratégia de liberalizar o câmbio e conter a valorização do real, segundo apurou a Agência Estado. Atualmente, só podem ser adquiridos dólares para pagar dívida externa a vencer em até 12 meses, mas já se discute no governo tanto a ampliação como a eliminação do prazo.

A medida daria às empresas e ao próprio governo a possibilidade de comprar moeda estrangeira para pagar dívidas externas de prazo mais longo (acima de um ano). A autorização para a compra de moeda estrangeira não significa que a operação será necessariamente efetivada pelas companhias privadas e o Tesouro Nacional, responsável por gerenciar a dívida pública. É que as decisões de compra de dólares levam em conta uma série de fatores, como melhor taxa, dinheiro disponível e cenário econômico de longo prazo.

A agenda de liberalização do mercado de câmbio está sendo conduzida pelo Banco Central (BC, conforme disse o seu presidente, Henrique Meirelles. Embora o discurso do BC seja de que o foco das medidas em estudo é tornar o mercado mais eficiente, o escopo das discussões vai todo na direção de facilitar a saída de dólares do País, o que funcionaria como força contrária à forte pressão de valorização do real.

Ao divulgar que estuda liberar o câmbio, o BC tenta reverter a percepção do governo de que não estaria atuando com firmeza para atacar o problema cambial, que prejudica a competitividade externa das empresas brasileiras e tem impacto fiscal importante, já que o dólar em queda eleva a dívida líquida do setor público. Essa percepção ficou mais forte depois que o Ministério da Fazenda, com o aval do Palácio do Planalto, decidiu taxar o capital estrangeiro com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

A avaliação do governo é que a tendência de alta do real é causada principalmente pelo sucesso econômico e credibilidade reforçada do País depois da crise, embora outros fatores, como juros ainda altos, sejam mencionados. Mas os técnicos também acreditam que essa tendência pode ser contida ou atenuada com ações de política econômica. A avaliação majoritária, porém , é que somente um conjunto de iniciativas – e não uma medida adotada de forma isolada – pode ter o efeito desejado pelo governo. Por isso, várias ideias estão sendo estudadas.

2 Comentários »

  1. vou dixar para ler mais tarde…mt grande para ler depois do almoço.

    Comentário por eduardo — 06/11/2009 @ 12:52 | Responder

    • Pois é. Ainda bem que li tudo antes do almoço. Mas tem 2 ou 3 materias obrigatórias ai.

      Comentário por fscosta — 06/11/2009 @ 13:05 | Responder


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