Muito pelo Contrário

29/06/2009

“Principal Critico”

Arquivado em: politica — fscosta @ 12:57

Certo. A senha está dada. Se vc tem o rabo preso por alguma falcatrua, se torne o “principal critico” antes que suas mazelas venham a tona. Ai os jornalões vão te transformar em santo, pq vc denunciou “antes” e agora estaria sendo “chantagiado”.

Dá um tempo, vai…

Blog de Ricardo Noblat: colunista do jornal O Globo com notícias sobre política direto de Brasília – Ricardo Noblat: O Globo

Tucano tem sido o principal crítico de Agaciel e Sarney; bancadas de PSDB e DEM vão decidir se pedem o afastamento do presidente

Gabinete de Virgílio confirma empréstimo de Agaciel

Arquivado em: politica — fscosta @ 12:01
Uai, não estou entendendo. Não era um santo?? O PSDB não era o partido da moralidade e da etica??

Gabinete de Virgílio confirma empréstimo de Agaciel -

Gabinete de Virgílio confirma empréstimo de Agaciel
29 de junho de 2009 • 06h59 • atualizado às 09h09

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Carlos Homero Vieira Nina, subchefe do gabinete do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), confirmou no domingo que pediu dinheiro ao ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia para ajudar o líder tucano a pagar uma conta de hotel em Paris, em 2003, como informou reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o assessor diz que o dinheiro foi pago, ao contrário do que afirmou a revista.

Nina disse que procurou Agaciel, pois Virgílio estava com um problema no cartão de crédito. Segundo ele, o ex-diretor é seu amigo. Ele não soube precisar o valor depositado na conta de Virgílio. “Podem ter sido uns R$ 10 mil, mas não eram US$ 10 mil (como informou a revista)”, afirmou, de acordo com a Folha. Nina disse ainda que pagou o empréstimo na mesma semana.

Denúncias contra Richa antecipam xadrez eleitoral na disputa de 2010

Arquivado em: politica — fscosta @ 10:41
As pessoas confundem. Mas a minha maior critica é com o uso do denuncismo desvairado pra criar artificialmente fatos politicos. Caixa 2?? Fala serio. Todo partido desde a redemocratizaçao faz caixa 2. Se os moralistas querem mudar é facil. É só pressionar os deputados e senadores pra fazer uma reforma politica.

Nao fazem. Pq? Pq só sabem jogar esse jogo. O Beto Richa é um prefeito bem avaliado, do PSDB, e foi tão bem sucedido na gestão que agora seria o fator novo na campanha pro Governo. Só que os adversarios seriam o sucessor do Requiao e do Alvaro Dias (sim, aquele inutil que nem vazar um “dossie” sabe fazer direito).

Ou seja, vc pode ser novo, pode ser competente, mas não tente mexer com os assuntos de gente grande. O pior é que o PT, mais perdido que cego em tiroteio no PR e SC, apoia essa campanha. Em vez de propostas, o denuncismo, seja qual for o partido.

Blog Leituras Favre

Denúncias contra Richa antecipam xadrez eleitoral na disputa de 2010

Marli Lima, de Curitiba – VALOR

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), encerra o primeiro semestre de seu segundo mandato de modo bem diferente do esperado. Um dos tucanos mais bem-sucedidos na última eleição, ele viu seu prestígio aumentar nos primeiros cinco meses do ano à medida que cresceram as chances de sua candidatura ao governo do Paraná em 2010. Mas, nos últimos dias, precisou defender-se do uso de caixa 2 em campanha, após a divulgação de um vídeo em que ex-candidatos a vereador pelo PRTB, que criaram um comitê para apoiá-lo, aparecem recebendo dinheiro que não foi declarado e falsificando assinaturas em recibos.

26/06/2009

TCU deveria ter investigado o Legislativo. Pq não investigou??

Arquivado em: politica — fscosta @ 17:29
Tá ai uma otima questão. Pq o TCU não investiga o Legislativo e o Judiciário com tanta dedicação qto investiga o Executivo??

Brasil – Último Segundo – TCU deveria ter investigado pagamentos de contratados por atos secretos

O TCU não fiscaliza apenas o Executivo. Cabe a ele fiscalizar também o Legislativo, poder ao qual é subordinado. Os atos de contratação eram secretos, mas seus efeitos eram públicos. Alguém recebia o dinheiro, trabalhando ou não”, disse hoje (26) à Agência Brasil.

Segundo Britto, esses pagamentos certamente estavam registrados em folha, mas não foram percebidos. “O TCU deveria ter investigado os motivos de esses pagamentos serem feitos sem que houvesse atos para justificá-los”, argumenta.

Caminho sem volta.

Arquivado em: politica — fscosta @ 13:31

A midia pode gritar a vontade, mas os governantes descobriram na internet uma maneira de contato permanente com a população.

O retorno vai ser cobrança, mas quem disse que quem trabalha no Governo não quer o melhor pra população??

PM de Goias inaugura o primeiro blog Institucional de Policia da AL.

http://www.pm.go.gov.br/blog/

Nos moldes do blog da LA PD (Los Angeles)

http://lapdblog.typepad.com/

Da arte da critica politica – 2

Arquivado em: politica — fscosta @ 12:10
Mais uma analise critica do pragmatismo politico do Governo Lula e como isso trava a modernização politica do Pais. Um Governo que defende verbalmente a reforma politica e não faz nada pra que seja realmente mudada a estrutura politica, causa primordial desse sistema falido retroalimentar escandalos sucessivos, desde que os Generais não puderam censurar as pessoas.

A política tradicional e Lula, o pragmático — Portal ClippingMP

Outro exemplo é a relação de Lula com a bancada ruralista, que é muito forte no PMDB. O governo petista tem cedido reiteradamente à bancada. É um outro lado do pragmatismo presidencial. O governo que redefine estruturalmente o jogo de forças na base social, via programas de transferência de renda, jamais comprou uma briga com a grande propriedade. Independente dos vetos que Lula venha a fazer na MP da Grilagem, a desenvoltura com que agiu a bancada ruralista, no plenário da Câmara e do Senado, para impor alterações muito favoráveis ao agronegócio que prosperou em terras públicas da Amazônia Legal apenas encontrou espaço porque o governo manteve uma posição em regra omissa em relação à questão fundiária. As mudanças feitas na MP 458, no Congresso, teriam o poder de legalizar enormes propriedades como se fossem simples posses. De acordo com as alterações feitas, a ocupação de uma propriedade de 15 quilômetros de terras públicas, ou 1,5 mil hectares – o correspondente a 1.389 campos de futebol – seria enquadrável na definição que a lei dá à posse de terra, ou seja, o uso da terra pública por uma pessoa que vive da propriedade para prover a sua sobrevivência e de sua família – e portanto passível de legalização. Da mesma forma, a bancada incluiu na MP a possibilidade de legalização de terras de proprietários que não moram na região, tem mais de uma propriedade ou que mantiveram terras nas mãos de laranjas.

Nesses movimentos contraditórios, Lula tem o poder de dar uma contribuição à modernização da política brasileira com uma mão e tirar esses avanços com a outra. O resultado final disso será conhecido no final de seu segundo mandato, com grande risco de sair do governo sem ter alterado de forma substancial os arcaismos políticos que sobrevivem nos rincões do país. Na política não há milagres: não existem mudanças efetivas se o governante não correr alguns riscos.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

Da arte da critica politica

Arquivado em: politica — fscosta @ 12:06
Eu não tenho problema algum e criticar o Governo Lula pelos defeitos que REALMENTE possui. O problema pra mim é o jornalismo ficcional e a industria de escandalos.

Observem um artigo escrito com classe que mostra a real face do conservadorismo do Lula e suas consequencias. Isso é jornalismo com inteligencia.

Entrelinhas

Com a infeliz defesa de Sarney, Lula sinalizou para a importância de se manter essa aliança. O PMDB do Senado, ameaçado pela rivalidade de pólos de poder internos, também pode atomizar seu apoio no cenário eleitoral de 2002 entre candidatos que, a exemplo de Dilma, também se vendam como pós-lulistas.

Essa percepção foi o que levou Lula a abrir as portas para que o PMDB, no início do ano, chegasse à Presidência de ambas as Casas, como não acontecia há 16 anos. A aliança entre PSDB e PT no Senado, que culminou com a derrotada candidatura de Tião Vianna (PT-AC) à presidência do Senado, é uma tentativa de resistir à essa hegemonia, mas tem fôlego curto pela rivalidade de seus projetos nacionais de poder.

Se o pragmatismo de Lula pode ter como desfecho uma bem sucedida dobradinha PMDB/PT, também parece certo que essa aliança, estendida à primazia do partido nos palanques estaduais, reforçará a hegemonia pemedebista no Senado. A legenda nutre-se do mais enraizado poder político do país. E não há como podar os vícios que imprimiu ao Congresso, frutos de poder desmedido e de rara alternância, sem fazer concorrência à origem da força pemedebista, o poder local. Ao buscar garantias à permanência de seu partido no mais alto cargo da República, Lula também impõe limites à transformação da política nacional.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

Tucanos esquizofrenicos

Arquivado em: politica — fscosta @ 11:52
Folha Online – Blogs – Josias de Souza
“Se a oposição está tão interessada em CPI, deve fazer a CPI da Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul; a CPI do Beto Richa, em Curitiba; e a CPI do caso Alstom, em São Paulo…”

“…Feito tudo isso, a gente pode pensar em retomar o diálogo sobre a CPI da Petrobras. Ah, sim, precisa também desobstruir a CPI da CDHU”.

Mercadante se refere a uma comissão de inquérito aberta na Assembléia Legislativa de São Paulo por iniciaitva do PT.

Destina-se a escarafunchar a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urnano), órgão do governo José Serra.

“Nesse caso, a CPI está aberta, mas o PSDB se vale da maioria que tem na Assembléia para bloquear a aprovação de todo e qualquer requerimento…”

“…Fazem uma obstrução permanente. Uma evidência de que trabalham com dois pesos e duas medidas…”

“…Por que a obstrução é legítima no Rio Grande do Sul, no Paraná, em São Paulo e não seria legítima em Brasília?”

Congresso vai obrigar as urnas eletronicas a imprimir os votos, pq não são confiáveis (mas nos EUA).

Arquivado em: politica — fscosta @ 11:24

Importantissima essa noticia, pra colocar o çábios em tecnologia do TSE no lugar. O Congresso Americano está aprovando um projeto pra exigir a impressão dos votos nas urnas eletronicas, ainda nas proximas eleições.

A ideia é ter um sistema eletronico pra facilitar a apuração e um de papel pra ser auditado frequentemente (3% pra eleições nacionais).

A sincronicidade da noticia é perfeita. O nosso Congresso está reformando a Lei Eleitoral e umas das pendencias é essa (O PDT quer a impressao dos votos).

Quem entende o minimo de tecnologia sabe que um dos principios da segurança em TI é que não existe sistema 100% seguro. Por isso deve haver contingencias.

Abçs,

Editorial do NYTimes

How to Trust Electronic Voting

http://www.nytimes.com/2009/06/22/opinion/22mon2.html?_r=1&scp=9&sq=new%20jersey%20texas%20vote%20machine&st=Search

http://desempregozero.org/2009/06/23/voto-eletronico-nao-merece-confianca/

Fonte: The New York Times

Máquinas de voto eletrônicas que não oferecem um recibo em papel do que foi computado não merecem confiança. Em 2008, mais de um terço dos Estados, inclusive Nova Jersey e Texas, ainda não exigiam que todos os votos fossem registrados em papel.

Agora, o republicano Rush Holt apresentou um ótimo projeto de lei que proíbe o voto eletrônico sem extrato em papel em todas as eleições federais. O Congresso deve aprová-lo enquanto ainda há tempo para preparar o pleito de 2010.

2010, pré-sal, Lula e os problemas do Senado.

Arquivado em: politica — fscosta @ 10:30
É algo que dificilmente vc vai ver nos outros jornais. Alguém analisando política sem paixão ou moralismo. Na verdade, tem-se 2 situações, 1) Essa crise no Senado, diminui o poder do PMDB de Sarney e Renan, que já estavam com as mãos na nova estatal do Pré-sal. 2) Por outro lado, esse enfraquecimento não pode ser tão grande a ponto de travar as negociações para a aliança em 2010.

Na verdade não vai dar em nada. Só que o Lula, sai mais forte e a correlação de forças vai manter o PMDB dividido como sempre.

Blog do Alon

O fato é que os papéis se inverteram. Hoje é Sarney quem, pendurado no pincel, depende de Lula para garantir a sobrevivência política. Daí que ontem tenha deixado isso claro, numa nota de menos de seis linhas. O DEM ainda está com Sarney, mas não se sabe até quando resistirá a engrossar o caldo de uma crise política nesta reta final antes da sucessão. E se o DEM aderir à coligação tucano-petista Sarney estará liquidado. Terá que deixar o cargo.

A cadeira seria assumida interinamente por Marconi Perillo (PSDB-GO), que conduziria a sucessão. E o PMDB poderia retaliar o PT e o Palácio do Planalto, produzindo uma saída não incondicionalmente alinhada a Lula. É um risco que o governo não quer correr. 2010 está logo aí. Eis também por que Lula defende Sarney quase todo dia

23/06/2009

Pra não dizer que não falei das flores…

Arquivado em: politica — fscosta @ 12:03
Pra quem acha que defendo o Lula. Ele é um conservador, do tipico que abomino, em certas questões. Seja nas indicações para o Supremo, seja na relação com a Igreja Católica.

Se o Acordo com o Vaticano passar, vai ser um retrocesso. E lembrem-se, acordos internacionais, aprovados pelo Congresso tem peso de lei.

É pedir muito um Estado Laico??

Acordo contra a cidadania — Portal ClippingMP

Dois anos depois de o tema vir à tona, tramita na Câmara dos Deputados acordo com a Santa Sé, assinado no Vaticano pelo governo federal em novembro de 2008. A pressão era para assiná-lo na visita do Papa ao Brasil, em 2007, mas o debate público o impediu.

À chegada do Papa, o presidente Lula afirmou que defenderia o Estado laico, princípio da Constituição a qual jurou defender. O Estado laico promove o respeito a todas as formas de crer e não crer, pela separação entre Estado e religiões, garantindo a liberdade de consciência, de crença e de culto, sem interferir ou interagir com assuntos das religiões.

A cidadania é um direito de todos, enquanto a identidade religiosa é uma adesão voluntária, privada, que não pode pretender submeter terceiros pelas normas que são próprias a uma fé. Um acordo do Estado com qualquer religião violaria o direito de consciência da cidadania e o pluralismo, bases da democracia.

22/06/2009

Muricy, na Brasileiros. Impagável…

Arquivado em: politica — fscosta @ 10:26
Muricy, um trabalhador brasileiro – Edição 19 – (Fevereiro/2009) – Revista Brasileiros
Brasileiros: E o que você ficou fazendo nesse meio tempo?
M.R.: Todo jogo que o meu time disputava eu ia lá, compravam ingresso pra mim como torcedor. Queriam que eu conhecesse o time para depois assumir, então eu ficava vendo o time jogar, ia para o hotel, pegava o DVD, ficava assistindo os outros jogos. Quando eu assumi, já sabia tudo sobre o time. Só que eles tomaram uma porrada em casa, antes de acabar o turno, e a torcida ficou enlouquecida. Aí chegaram um dia no hotel de surpresa. Eu estava assistindo a porcaria da televisão deles, invadiram assim o meu quarto, uma chinesada do cacete. Perguntei pro intérprete: “O que catso está acontecendo, que loucura é essa aqui? O que essa chinesada do caramba está entrando no meu quarto aqui?” Era um monte, porque todo mundo lá trabalha no governo. Tinha uns 30 auxiliares, uns 40 caras que pegavam a bola. O Gonçalo que era o intérprete me falou: “O que está acontecendo é que eles vieram aqui para você assumir o time”. Falei que não era este o combinado. “Mas é que a torcida ficou brava e está querendo matar o polonês! Você vai ter que assumir a semana que vem.” Eu conheci a tabela e sabia que era a última semana do campeonato, que a gente ia jogar contra o Flamengo deles lá no Maracanã e o Flamengo em primeiro lugar. Eu falei: “É essa a moleza que vocês estão me dando? O combinado foi acabar o turno, eu treinar o time e só depois assumir”. Eu sei que me convenceram, eu fui jogar contra o Flamengo, um puta time do cacete, primeiro lugar, acabamos empatando o jogo, e eles ficaram supercontentes comigo.

20/06/2009

CartaCapital :: Delfim Netto – Masoquismo intelectual

Arquivado em: politica — fscosta @ 19:08
Colunistas – CartaCapital
Delfim Netto

A análise crítica da economia
Masoquismo intelectual

19/06/2009 14:01:47
Delfim Netto

A semana passada foi marcada por dois fatos curiosos que revelam a tendência ao masoquismo que domina parte da mídia e da intelectua-lidade brasileira. O primeiro foi revelado na decepção que invadiu alguns “analistas” financeiros com a publicação, pelo IBGE, da taxa de crescimento do PIB entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 – menos 0,8%. É verdade que mesmo os mais otimistas estimavam que o número não seria melhor do que menos 1%. Os pessimistas sugeriam queda de 2% a 2,5%. Os “terroristas” garantiam que seria em torno de 3,5%!

A reação imediata desses últimos foi de incredulidade. Depois, um sorrisinho maroto sobre a “qualidade” da informação que sugere, pelo gesto, uma manipulação. Alguns – com idiotia reconhecida há muito tempo – lembraram que “intervenções” já ocorreram no passado, o que é absolutamente falso. Se há uma instituição cujo corpo funcional preservou sua integridade é o IBGE.

O segundo foi espelhado nas manchetes de 11 de junho de todos os grandes jornais nacionais: “O Copom surpreendeu o mercado com uma redução de 100 pontos da taxa Selic”. Mas surpreendeu a quem? Certamente, não os céticos com a qualidade de nossa política monetária. Lembremos apenas que, em setembro, quando o sistema financeiro internacional estava caindo aos pedaços e reduzindo velozmente sua taxa de juros, o Copom elevou a taxa Selic porque acreditava na fantasia do “descolamento”. A despeito da tragédia mundial, o Brasil continuaria crescendo a 6% e, portanto, seria vítima de uma aceleração da taxa de inflação. Para preveni-la, aumentou em 100 pontos a taxa Selic…

Surpresa por quê? Provavelmente, cabia perfeitamente uma redução de 150 pontos com benefícios para os setores público e privado sem ameaçar o equilíbrio interno e melhorando o externo. Surpresa e até desapontamento (traição do Banco Central?) apenas para a inteligência numericamente majoritária, apurada por amostragem televisiva, desse famoso ente platônico – o “mercado financeiro” – que havia precificado, do alto de sua “ciência”, que a manobra deveria ser de 75 pontos.

É conhecida a queda no primeiro trimestre de 2009 com relação ao quarto trimestre de 2008 (-0,8%) e já está praticamente terminado o segundo trimestre, cuja “sensação térmica” parece um pouco melhor. Talvez seja possível fazer hipótese razoavelmente realista sobre como terminaremos 2009, uma vez que a política econômica está dada. A política fiscal “anticíclica” poderia ter sido melhor postergando os gastos de custeio permanentes e transferindo recursos para os investimentos, que não exigem custeio futuro e aumentam a produtividade do setor privado. Isso facilitaria a continuidade do equilíbrio fiscal e da redução da relação Dívida Pública/PIB. A política monetária, depois de um atraso de nove meses, ainda não completou sua tarefa de irrigar liquidez, particularmente a das pequenas e médias indústrias. Estas são as maiores criadoras de empregos e têm sido ainda prejudicadas pela “supervalorização” do real.

Quanto tempo ainda vamos demorar para aprender: 1. Que a liberdade de movimento de capitais não é da mesma natureza (não obedece às vantagens comparativas) da liberdade de movimento de bens. 2. Que ela exige a igualdade entre a taxa de juros real interna e externa. 3. Que no mundo real (não nos livros-texto) a taxa de juros é determinada menos pelos “fundamentais” (há controvérsia sobre quem são eles…) e mais pela ação dos bancos centrais.

Parece que a política econômica para o segundo semestre não trará nenhuma surpresa significativa. Diante disso, talvez seja possível fazer algumas hipóteses plausíveis sobre o futuro imediato: a) Que o segundo trimestre tenha crescido 0,5% sobre o primeiro. b) Que, no terceiro trimestre, quando todos os estímulos estiverem funcionando, o crescimento seja de 1,2% sobre o segundo. c) Que a partir daí o crescimento seja de 1% sobre o trimestre anterior até o fim de 2010. Teríamos, com essas hipóteses, os seguintes crescimentos anuais em comparação ao mesmo período do ano passado (tabela).

A má notícia é que, mesmo com a economia crescendo a partir do terceiro trimestre de 2009, o PIB registrará taxa negativa para o terceiro em relação ao análogo de 2008, que será conhecida com defasagem de três meses no fim de dezembro, quando já estaremos rodando em torno de 1,9% de crescimento anual. Com essa hipótese, o PIB registrará, em 2009, uma taxa negativa em torno de 1% em relação a 2008. Nada é certo: um maior esforço no terceiro trimestre poderá nos aproximar do terreno do crescimento positivo ainda em 2009.
Delfim Netto

Sextante

19/06/2009

O direito de espernear – Mauro Santayana

Arquivado em: politica — fscosta @ 14:52
O direito de espernear – Mauro Santayana
O direito de espernear

O propósito da oposição não é investigar se há erros na Petrobras, mas tentar desestabilizar o governo e – pior – enfraquecer a grande empresa, no momento em que busca recursos para a exploração do pré-sal

Diante dos êxitos inegáveis do governo, a oposição se perde entre a perplexidade e a inveja. Conforme costuma dizer Delfim Netto, com autoridade, os economistas que dominaram o governo anterior não podem aceitar que o bom senso de um metalúrgico revele-se muito mais eficiente do que as teorias acadêmicas. A diferença está no trabalho desenvolvido pelo governo, sobretudo pelo seu titular. Lula atua em duas frentes. Na frente interna, tenta reparar injustiças seculares para com os trabalhadores.

Na externa, insere o Brasil entre os atores internacionais, abre mercados, influi no processo político global. Não é um extremista, mas tampouco um conformista. Talvez funcione, em sua forma de ver o mundo, a constatação dos velhos comunistas de que os trabalhadores lutam para construir a própria família com dignidade e fazer com que seus filhos vivam um pouco melhor do que eles mesmos.

O país caminha sem grandes saltos, mas com firmeza. O governo conseguiu zerar a dívida externa e reduziu consideravelmente a dívida pública interna. Graças a isso, consegue impedir que a crise internacional assuma, entre nós, o caráter gravíssimo que ocorre em outros países. Uma das causas desse desempenho é, sem dúvida, a distribuição –precária ainda – compulsória de renda. O aumento de consumo de bens industriais duráveis, favorecido pela atenção oficial aos pobres, permitiu que a indústria mantivesse o nível de emprego nos anos anteriores, e, assim, que a economia permanecesse mais ou menos estável.

É certo que os níveis de desemprego cresceram, mas não com os índices dramáticos que muitos calculavam.

Seria de esperar que todas as forças políticas brasileiras atuassem em busca do entendimento, a fim de que pudéssemos vencer todas as dificuldades econômicas sem crises políticas internas. Mas não é o que ocorre. A oposição, salvo a exceção de alguns mais lúcidos, aposta no “quanto pior, melhor”. Não há prova maior disso do que a CPI do Senado para investigar a Petrobras. Em primeiro lugar, não obstante homens honrados que o compõem, o Senado não tem, neste momento, autoridade moral e política alguma para investigar o que quer que seja.

Os escândalos surgidos ali recentemente põem a instituição sob suspeita diante da opinião pública. E o propósito da oposição não é averiguar possíveis erros da grande empresa. Querem é tentar a desestabilização do governo e – ainda pior – enfraquecer a grande empresa, no momento em que busca os capitais necessários para a exploração imediata dos depósitos petrolíferos sob a camada de pré-sal.

A oposição que está aí é herdeira e sucessora da UDN, que, sob o comando de Carlos Lacerda, e a serviço das grandes empresas petrolíferas norte-americanas, procurou impedir a criação da Petrobras durante o governo de Vargas e, em seguida, no período de sua consolidação pelo presidente Juscelino Kubitschek, continuou na tentativa de desestabilização do governo.

Não é relevante para esse grupo de senadores e deputados o interesse nacional – e o interesse nacional exige a preservação da Petrobras, que vem investindo pesadamente na exploração do petróleo do profundo subsolo marinho, o que nos tornará um dos maiores produtores do mundo. O que lhes interessa é apenas tumultuar o processo sucessório, com a esperança de que venham a ocupar o Planalto e, no Planalto, impedir a realização plena do povo brasileiro e a conquista definitiva da soberania nacional.

É o direito que têm de espernear. Durante quase toda a História – com exceção de dois ou três períodos da República, em que houve resistência contra a injustiça, as oligarquias têm explorado impunemente o povo brasileiro e usado dos recursos do Tesouro para o enriquecimento de famílias de nome sonoro e caráter discutível. Como, desta vez, os trabalhadores conhecem melhor os seus direitos e a população rural já não obedece ao cabresto dos senhores de engenho e dos latifundiários, os oposicionistas se desesperam.

Mauro Santayana é jornalista. O artigo acima foi transcrito da mais recente edição da revista Brasil Atual

18/06/2009

Finalmente !!!

Arquivado em: politica — fscosta @ 22:42
O PiG (*) descobriu queo Sarney é o Sarney | Conversa Afiada
O Sarney é colunista da Folha (**) há mil anos e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. O Roberto Marinho nomeou Maílson da Nóbrega Ministro da Fazenda do Sarney e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. O Roberto Marinho governou o Brasil através de Antonio Carlos Magalhães, Ministro das Comunicações de Sarney, e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. Sarney tomou uma empresa do Mario Garnero para dar ao Roberto Marinho, e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. Sarney acertou as contas da Telemontecarlo com uma operação de câmbio do Roberto Marinho e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. O Sarney arrumou para os filhos uma retransmissora da Globo no Maranhão e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. Sarney segurou um congelamento de preços para segurar o Cruzado e ganhar uma eleição, e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney.

. Sarney arranjou um ano a mais de mandato para atrapalhar o Lula e o Brizola, e o PiG (*) não sabia que o Sarney é o Sarney

. Agora, o PiG (*) descobriu que o Sarney é o Sarney.

. Quem mandou o Sarney jurar que pega o Serra na esquina, pelo que o Serra fez à filha dele, em 2002 ? (***)

. Quem mandou o Sarney apoiar o Lula ?

. (Essas inúteis considerações nasceram de sugestão de amigo navegante que voltou de uma semana no exterior e se estarreceu: o PiG (*) descobriu que o Sarney é o Sarney !)

Paulo Henrique Amorim

17/06/2009

Elio Gaspari: A cota de sucesso da turma do ProUni

Arquivado em: politica — fscosta @ 20:46
Folha de S.Paulo – Elio Gaspari: A cota de sucesso da turma do ProUni – 17/06/2009
ELIO GASPARI

A cota de sucesso da turma do ProUni

Os pobres que entraram nas universidades privadas deram uma aula aos demófobos do andar de cima

A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.
Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão).
O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: “Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”.

O Senado e 2010

Arquivado em: politica — fscosta @ 15:10
Sarney tem razão: o PiG(*) quer a cabeça dele | Conversa Afiada
A verdade é que o Lula para eleger a Dilma precisa do PMDB, pelo menos pra garantir que o PMDB vá dividido como sempre em 2010. Tampouco, com o PSDB, ai sim seria catastrofico.

Esse foi o jogo na eleição, em que o Tião Viana do PT recebeu apoio até do PSDB, veja como são as coisas. Com o PMDB do Senado (de Sarney e Renan) equiparado em poder com o PMDB da Camara (de Michel Temer) o resultado é que no minimo ele vai dividido.

Dai a defesa dele ao Sarney, acho o Lula foi pragmatico, só isso. Alias uma das habilidades dele é conseguir derrubar os amigos sem desgasta-los publicamente. Dirceu, Palocci, Renan, Severino, etc. Todos sairam com o apoio publico dele.

Ele esta defendendo seu legado de politicas sociais e desenvolvimento economico. Eleger a  sucessora é a UNICA meta. Lembre-se que o FHC saiu reclamando que ninguem defendia o legado tucano de estabilização e privatização. Veja o que deu. Privatização é palavrão hoje em dia.

Realmente dá nojo, mas entender isso é primordial pra começar a tentar entender a politica. Estranha o Leandro Fortes fazer uma analise tao simplista da situaçao.

Os atos secretos não sao do Sarney nem do Tiao Viana. Sao do Senado de sempre.

A indignação seletiva do PIG surgiu. Viva, vamos aproveitar e cobrar uma limpeza dessa zona. Mas o que “eles” não sabem é que no futuro, não aceitaremos mais isso, nem pra A, nem pra B.

É a democracia tupiniquim se desenvolvendo, a duras penas, diga-se de passagem.

Chavoes e os idiotas

Arquivado em: politica — fscosta @ 10:24

Ate qdo esse idiotas vão ficar repetindo esses chavões patéticos. Uma das funções do nosso presidencialismo é viajar, vender o País, exportar gera divisas, esses dolares mantem a estabilidade macroeconomica e permite a economia interna crescer, elevando os salários e os empregos, talvez por isso esse idiota tenha um espaço como esse no Terra Magazine.

Sobre a Copa, o ignorante ai, não sabe que o futebol é uma industria, talvez maior que muitas outras, a Copa é o ápice dessa industria, talvez por isso os proprios investimentos se paguem durante sua realização. Mas ele é muito ignobil pra perceber isso.

Damn, como eu odeio jornalistas…

Sepp Blatter para presidente – Terra – Eduardo Tessler

…Logo, não precisará gastar tempo e querosene de aviação para viver viajando, como FHC e Lula…

…Seria o primeiro corrupto no Planalto, por acaso?

12/06/2009

“Manobra contábil” da Petrobras é usada por grandes empresas, sugere estudo

Arquivado em: politica — fscosta @ 15:05
Então, e agora? Que tal pedir desculpas, e depois,  parar de chamar isso de manobra contábil.

Manobra contábil da Petrobras é usada por grandes empresas, sugere estudo — Portal ClippingMP

Manobra contábil da Petrobras é usada por grandes empresas, sugere estudo
Autor(es): César Felício, de Belo Horizonte
Valor Econômico – 12/06/2009

Estopim para a criação de uma CPI no Senado, a manobra contábil da Petrobras, que deixou de recolher três meses de contribuições, reforçando seu caixa em R$ 4 bilhões este ano, pode ter sido seguida pela maioria dos grandes contribuintes do País. Um estudo preparado pelo economista José Roberto Afonso, consultor do PSDB, com base em dados coletados no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que tem acesso ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), detalha a queda na arrecadação tributária federal no primeiro quadrimestre deste ano, que é desproporcional à redução do PIB . Enquanto o Produto Interno Bruto teve uma redução de 1,8% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com o mesmo período no ano passado, as receitas federais tiveram uma redução de 7,2% de janeiro a abril, percentual que sobe a 8,7%, caso se retirem as receitas previdenciárias. Em termos absolutos, houve uma perda de R$ 11 bilhões.

11/06/2009

Uma aposta no discurso errado

Arquivado em: politica — fscosta @ 19:00
Uma aposta no discurso errado – Vi o Mundo – O que você nunca pôde ver na TV
Uma aposta no discurso errado

Atualizado e Publicado em 10 de junho de 2009 às 19:06

Uma aposta no discurso errado

Maria Inês Nassif – VALOR

É, sem dúvida, um enorme paradoxo. O PSDB tem, no momento, um nome altamente competitivo para a disputa à Presidência da República, o do governador José Serra (SP) e um outro pré-candidato com reconhecidas qualidades políticas, o governador de Minas, Aécio Neves. Ainda assim, a falta de uma visão estratégica que coloque efetivamente o poder no horizonte do partido deu espaço para que se viabilizasse a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, a ministra Dilma Rousseff, que, neófita em disputas eleitorais, saiu do traço, no ano passado, para o segundo lugar nas pesquisas divulgadas na semana passada. Mais do que isso, as dissenções resultantes dos conflitos entre projetos pessoais de poder – e também de glória – não favorecem a unidade orgânica da agremiação para uma jornada rumo ao Palácio do Planalto.

O PSDB colocou-se numa camisa de força nesses sete anos de governo Luiz Inácio Lula da Silva. Na onda de uma radicalização da sociedade brasileira, o partido estabeleceu diálogo, cumplicidade e representação de classes sociais com maior renda e escolaridade, e mais conservadoras. A falta de interlocução com outras classes e a ausência de familiaridade com políticas partidárias que lhe permitissem maior inserção em setores populares – relacionamento mais estreito com movimentos populares ou representação no movimento sindical, por exemplo – moldou um discurso exclusivo para as classes mais bem posicionadas na pirâmide social.

O PSDB faz um discurso para esses setores porque deles depende e os representa institucionalmente; reverbera sensos comuns que reforçam, nessa faixa social, uma enorme aversão ao governo e uma cada vez mais profunda distância entre ela – e o próprio partido – e a população mais identificada com as políticas sociais do governo petista.

Essa conversa de mão única moldou um projeto de poder de formato conservador que traz embutido uma enorme dificuldade de se expandir e agregar adesões. É um projeto excludente de outras forças e que tende a arregimentar aliados pelo que tem de negativo – o contra, a aversão, a raiva, o medo, o antilulismo, o antipetismo, o antiesquerdismo, o antiestado etc. -, mais do que pelo positivo – o favorável ao Estado mais enxuto, ao aumento do superávit primário etc.

Nesse formato, o discurso do PSDB passa a ser altamente dependente de um desgaste enorme do governo e do presidente Lula, o principal fiador da candidatura petista, para agregar votos; ou, de outro lado, uma vitória tucana fica dependente de uma figura, de um líder que transcenda o partido preso na camisa de força do discurso negativo e dirigido a uma elite que soma um grupo restrito de eleitores. O discurso excludente requer uma das duas coisas para ter eficiência no convencimento do eleitor. O governador de São Paulo, José Serra, tem cada vez mais assumido o senso comum desse discurso excludente e negativo, mas tem maior ascendência sobre o partido e é mais conhecido pelo eleitor. O governador mineiro, Aécio Neves, tem mais perfil para romper com o discurso restritivo, mas dificilmente conseguirá vencer a maioria serrista dentro do partido e ser o candidato.

O discurso negativo é identificado com o da antiga UDN, mas assumi-lo embute um outro enorme erro estratégico. O discurso udenista tinha uma estratégia de poder clara: era dirigido aos militares, que tinham poder de intervenção pela força no cenário político, e era uma pregação contra uma “esquerdização” do governo. Não era uma ofensiva para conquistar o poder pelo voto – se assim fosse, a UDN de Carlos Lacerda teria que assumir um discurso agregador, não um discurso que favorecesse uma tendência dominante, naquele momento, de cisão da sociedade brasileira.

No caso das eleições de 2010, onde o que está em jogo é uma disputa democrática, uma estratégia de conquista de poder pelo discurso negativo é muito arriscada. Quando um partido favorece a cisão da sociedade visando uma disputa política, é porque aposta que ficará com a maior parte dela e ganhará eleição. Num cenário político onde o presidente tem mais de 80% de aprovação, apostar na cisão da sociedade e num discurso negativo contra uma figura tão popular quanto Lula, é um tiro no escuro

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