que foram os tucanos que o criaram durante a “Privataria”.
Como, não adianta, tudo no Pais do samba e do futebol, é um FLAxFLU, podem me chamar de tucano e de petista, mesmo nao sendo nem um nem outro. As pessoas agem hj, como se só existissem esses 2 partidos, e esses dois espectros ideologicos. Eu discordo. Mas é dificil explicar isso pra quem se acostumou a dividir a sociedade em rotulos que simplificam o debate, e auxiliam deixar de lado o que interessa.
Enfim, a melhor parte, é que se vc é otimista vc acredita que algo bom acaba surgindo dessa sujeira toda. Protogenes, De Sanctis, procuradores jovens no MP. É melhor se informar, do que repassar powerpoints contra “corrupção”, participar de movimentos como “Cansei”, repetir frases de efeito ou se alienar.
Enfim, acho que a parte “pós-mensalão” o “mainstream” da imprensa está cobrindo “bem” (rs). Falta relembrar a parte pornografica das “privatizações”. E principalmente, em que isso se conecta aos ultimos “escandalos”.
Afinal, como diz o Bob Fernandes, no Terra Magazine, é nessa historia que se mostra os “Intestinos do Brasil”. Como politicos são cooptados facilmente pelos interesses privados. Esse tipo de informação vc não vai ter na Veja ou no Jornal Nacional. Se tiver, é pra variar, distorcida de acordo com os seus interesses. Mas a imprensa nesse jogo é um capitulo à parte, que o Nassif conta bem.
Abaixo (resumido), o perfil do DD que saiu na Revista Piaui.
Nos links as materias completas. Perca seu tempo, entendendo seu Pais. Clique e leia, se tiver estomago.
“…
Ser considerado o pupilo dileto de Mario Henrique Simonsen fez com que instituições respeitáveis e poderosas se abrissem para Dantas.
Quando, em 1997, o Citibank escolheu o Opportunity — com apenas três anos de existência — para ser o gestor de um dos maiores fundos de investimento no Brasil, ainda se vislumbrava, por trás da decisão, a sombra do ex-ministro, que fora membro do conselho do Citigroup. Dantas
ficara relativamente conhecido no mercado externo em 1989, quando, no Icatu, criou o Fundo Brasil, para vender ações de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York. Ganhou mais experiência em privatizações ao se associar, em 1995, a um grupo de fundos de pensão de estatais para
participar dos leilões da Escelsa, Espírito Santo Centrais Elétricas, da Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais, e da Vale do Rio Doce.
Esses negócios o ajudaram a atrair parceiros para a privatização das teles. Mas, ser escolhido pelo maior banco americano para gerir seus investimentos no Brasil deu-lhe uma credibilidade extraordinária.
A Telecom Italia, por exemplo, que estava de olho na Telesp, a empresa de telefonia fixa de São Paulo, já havia fechado parceria com um consórcio formado pelas Organizações Globo, pelo Bradesco, e pelo grupo Vicunha. No entanto, em 1997, com a crise asiática respingando no Brasil, os italianos ficaram temerosos de que a Globo recuasse para não comprometer sua operação principal, a televisão. A representante da empresa no Brasil era Carla Cico, uma executiva de pouco mais de 40
anos e físico de corredora. Ela procurou o Opportunity: a Telecom Italia queria participar da compra de outra empresa de telefonia, caso o consórcio com a Globo não vingasse.
Para o banco de Dantas, contar com a Telecom Italia seria um reforço no consórcio que vinha montando para a compra da Tele Norte-Leste, atual Telemar. Depois da conversa com o banqueiro, Carla Cico pediu sigilo, explicando que teria de informar o comando da companhia sobre a proposta. Nesse mesmo dia, uma sexta-feira, ela embarcou para a Itália. Estava satisfeita, e chegou a comemorar seu aniversário, com bolo e tudo, durante o vôo. Na segunda-feira, bem cedo, acordou com um telefonema do presidente da Telecom Italia. Ele queria saber o que ela estava tramando com o Opportunity. A conversa com Dantas vazara para os jornais e, naquele momento, os presidentes da Globo, do Vicunha e do Bradesco viajavam para a Itália. A Telecom decidiu continuar no primeiro consórcio, mas aderiu também ao do Opportunity. Anos depois, Carla diria a amigos que devia ter percebido, naquele incidente, que Dantas não era confiável: tinha certeza de que fora ele quem vazara a informação.
O Opportunity se preparou para a privatização formando três fundos: um nacional, com dinheiro dos fundos de pensão; um estrangeiro, nas Ilhas Cayman, com dinheiro do Citibank; e um terceiro, do próprio Opportunity, também no Caribe, para investidores estrangeiros. Meses
antes, Dantas convidara Pérsio Arida para se juntar ao Opportunity como um de seus principais sócios. Ex-presidente do Banco Central, Arida tinha boas relações com dois homens-chave na privatização: o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e André Lara Resende, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o bndes. O Opportunity contratou também a economista Elena Landau,
ex-diretora do bndes. Na época, ela e Arida eram namorados. Dantas estava com os consórcios montados quando, certa tarde, Carlos Jereissati — dono do grupo Lafonte e irmão de Tasso Jereissati, um cacique do PSDB, o partido do governo — entrou numa sala do banco onde
os consorciados se reuniam. O empresário queria participar do consórcio da Telemar. Houve resistência. Jereissati disse que tinha ordens do psdb para participar do negócio. “Ordens de quem?”, perguntou-lhe Elena Landau. “De Tasso”, respondeu ele. A economista, que já havia trabalhado com o ex-governador do Ceará, ligou para ele na mesma hora. Tasso negou a informação, e Jereissati saiu batendo as portas. Em pouco tempo, de olho na Telemar, formaria outro consórcio com a gp Participações e a Andrade Gutierrez.
A ruptura levou à criação, dentro do governo, de duas alas, cada qual apoiando um dos grupos. A manipulação da privatização e a proximidade de governantes e empresários viriam à tona em grampos
telefônicos divulgados pela imprensa. As gravações demonstravam que Mendonça de Barros e Lara Resende estimularam a formação do consórcio Opportunity — segundo eles, para garantir a concorrência entre consórcios e aumentar o valor das empresas em leilão. O grupo de Carlos Jereissati contava com o auxílio do diretor de investimentos do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, que tinha ascendência sobre os fundos de pensão.
No dia do leilão, tudo parecia definido. O zunzum do mercado era de que a espanhola Telefónica adquiriria a Tele Centro-Sul (mais tarde rebatizada de Brasil Telecom). A Globo, com seus parceiros, compraria a Telesp. O Opportunity e seus sócios — Citibank, Telecom Italia e fundos
de pensão — levariam a Telemar. O que ninguém esperava é que os italianos depositariam um envelope com uma proposta de compra da Tele Centro-Sul. Dentro do Opportunity, apenas Dantas tinha conhecimento dessa oferta. Houve outra surpresa: os espanhóis ofereceram 5,7 bilhões
de dólares pela Telesp, derrotando o consórcio da Globo. Automaticamente, a oferta da Telefónica para o leilão seguinte, da Tele Centro-Sul, foi desconsiderada — pelas regras, nenhum consórcio poderia comprar mais de uma empresa. Sobrou a proposta do Opportunity, que
levou a Tele Centro-Sul por um valor baixo, apenas 6% acima do preço mínimo. Por falta de concorrente, a Telemar caiu nas mãos do consórcio de Jereissati, que comprou a empresa pelo preço mínimo.
Dantas continua a negar que sabia da oferta dos italianos pela Tele Centro-Sul. Mas sua negativa tem a mesma credibilidade da décima-terceira badalada do sino. Ele admite apenas o óbvio: que fez um
excelente negócio. “Pagamos 2 bilhões de dólares por uma boa companhia, menos da metade dos 5 bilhões que pagaríamos pela Telemar.” Até hoje, a história desse leilão está envolta em névoas. Caso os espanhóis da Telefónica não tivessem levado a Telesp, é certo que Dantas não compraria a Tele Centro-Sul com uma proposta tão acanhada. Os italianos faziam parte do seu consórcio, e também do da Globo, derrotado pela Telefónica.
A desestatização das teles contrariou as expectativas de que os negócios entre o Estado e a iniciativa privada inaugurariam uma era de transparência republicana. Foram os fundos de pensão das estatais que entraram com grande parte dos recursos para a compra das empresas, enquanto os investidores privados eram financiados pelo bndes. Foi também o Estado, através do Banco do Brasil, que forneceu as garantias — ou seja, o avalista do negócio foi o próprio vendedor. Alguns integrantes do governo de Fernando Henrique se comportaram como manipuladores. Outros agiram como fantoches de grandes empresas. Empresários, por sua vez, atuaram como gângsteres, trocando golpes baixos e grampeando-se uns aos outros.
No começo de 1999, a diretoria da Previ foi renovada. Entre os novos diretores, havia representantes dos sindicatos dos bancários, ligados ao PT. Um deles era Sérgio Rosa. Iniciou-se uma auditoria dos contratos com o Opportunity. Foi constatado que os fundos, depois de investir 1 bilhão de dólares, não tinham direito ao prêmio de controle, caso as empresas fossem vendidas. Tampouco teriam preferência de compra, se um dos sócios saísse do negócio. Por fim, o Citibank e o Opportunity haviam firmado um acordo paralelo, garantindo vantagens que não se estendiam aos demais sócios. …
de dólares pelo negócio. A Telecom Italia ofereceu 850 milhões. “Nós não aceitamos, porque a empresa não valia isso. Era claro que, por trás do acordo, alguém estava sendo beneficiado”, diz Dantas. O Opportunity, pressionado pela Anatel, acabou concordando em pagar 800 milhões de
dólares. “Foi depois disso que começamos a ser atacados por todos os sócios”, alega ele.
Com receio de que a pancadaria e as suspeitas de corrupção afugentassem investidores estrangeiros, Fernando Henrique enviou um ministro para conversar com Dantas. O banqueiro disse ao emissário que havia montado uma estrutura societária juridicamente inatacável. O ministro o alertou: “Daniel, o seu negócio é fazer parcerias e não controlar empresas. Desse jeito, você vai inviabilizar o seu negócio, pois nunca mais conseguirá atrair nenhum parceiro”.
Dantas se meteu ainda numa outra peleja, dessa vez com um sócio de menor expressão dentro do próprio banco: Luís Roberto Demarco. Contratado em 1997, uma de suas funções seria supervisionar o investimento do Opportunity no Esporte Clube Bahia, em Salvador. O negócio não deu certo, Demarco se desentendeu com Dantas e acabou saindo do banco. Cobrou a fatura: uma participação de 3,5% no fundo cvc-Opportunity, nas Ilhas Cayman, que acertara com Dantas ao entrar para o banco. O banqueiro se recusou a pagar. No ano passado, o tribunal de Cayman deu ganho de causa a Demarco. Além de sofrer a derrota, Dantas acabou expondo uma irregularidade maior: o cvc-Opportunity não poderia ter recebido dinheiro de brasileiros, já que se tratava de um fundo exclusivo para investimentos estrangeiros.
Agora, Dantas responde a processo na Comissão de Valores Mobiliários. A fortaleza do dono do Opportunity começou a esboroar de vez com a chegada de Lula ao Planalto, em janeiro de 2003. Luiz Gushiken, ex-presidente do sindicato dos bancários de São Paulo, virou um dos
homens fortes do governo. Ele havia tido negócios em sociedade com Demarco e era companheiro de longa data de Sérgio Rosa, também sindicalista em São Paulo. Gushiken indicou Rosa para a presidência da Previ. Além de mal visto por Gushiken e Rosa, Dantas até então só cultivara políticos do PFL e do PSDB. Resolveu procurar, no próprio governo, uma força maior na qual se apoiar. Aproximou-se de José Dirceu, chefe da Casa Civil, que disputava espaço com Gushiken no
governo. Pouco depois da posse, o banqueiro reuniu-se com Dirceu em seu gabinete no Planalto.
Dantas conta que o ministro se interessou em saber detalhes da briga e elogiou o desempenho das empresas sob o controle do Opportunity. Dirceu, no entanto, criticou o fato de os fundos não participarem da administração das companhias. Dantas respondeu: “Ministro, as empresas
vão bem porque os fundos estão fora da administração. Caso contrário, elas já estariam no buraco”. Dirceu sugeriu que ele procurasse o então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, que dava a última palavra na Previ. Dantas seguiu a orientação a contragosto: Casseb fora conselheiro na Brasil Telecom e tivera relações conflituosas com os representantes do Opportunity. No começo de maio, Dantas se reuniu com Casseb na sede do Banco do Brasil, em Brasília. No dia 14 daquele mês, enviou um e-mail à representante do Citibank no fundo do Opportunity, Mary Lynn Putney, revelando o teor da conversa: “Prezada Mary Lynn: minha conversa com o Cássio se deu de maneira muito estranha. Ele gastou três minutos com delicadezas antes de entrar no assunto. Ele disse que queria desfazer o
acordo de acionistas que temos com os fundos de pensão”. Algumas semanas mais tarde, Casseb convocou Arthur Carvalho para uma reunião. Carvalho resume o que ouviu do presidente do Banco do Brasil: caso o Opportunity não cedesse o controle para os fundos de pensão, o governo “ia passar por cima” de Dantas. O primeiro golpe letal foi desferido pela Previ. Com um patrimônio de 106 bilhões de reais, o fundo proibiu as mais de cem empresas nas quais tem participação de fazerem negócios com o Opportunity. Entre elas estão algumas das maiores companhias brasileiras, como a Vale do
Rio Doce e a Petrobras. A decisão da Previ foi seguida pelos outros fundos das estatais.
Em outubro de 2003, os fundos conseguiram destituir o Opportunity da condição de gestor de seus investimentos, substituindo-o por uma empresa nova no mercado, a Angra Partners. Foi um período difícil para o banqueiro: seu pai morreria dali a poucas semanas, por problemas cardíacos. No enterro, Dantas passou mal e foi internado às pressas num hospital de Salvador. Diagnosticou-se que 40% das artérias de seu coração estavam entupidas. Ao ter alta, tornou-se vegetariano.
Um ano depois, Dantas teve de fugir do país para não ser preso pela Polícia Federal, numa ação chamada de Operação Chacal. Armados e encapuzados, os agentes entraram no banco, no apartamento dele, no escritório da Kroll — multinacional especializada em investigação empresarial —, e na casa da ex-presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, em Brasília. Levaram documentos e o disco rígido de um computador do Opportunity com informações sobre as operações dos clientes do
banco. Dantas e Carla Cico foram acusados de contratar a Kroll para espionar autoridades brasileiras e a Telecom Italia.
A pf agira a partir de um cd, entregue pela Telecom Italia, com informações sobre empresários e pessoas do governo que estariam sendo espionadas pela Kroll. O processo está na Procuradoria de São Paulo, e corre em sigilo de Justiça. Dantas admite que a Brasil Telecom contratou a empresa para investigar a companhia italiana, mas alega que não mandou a Kroll espionar governantes. Segundo ele, tudo não passou de um ardil da Telecom Italia, que adulterou os arquivos da Kroll para
incriminar o Opportunity.
No começo do ano passado, a procuradoria italiana começou a investigar uma vasta rede de espionagem montada por altos funcionários da Telecom Italia. A empresa grampeou telefones e e-mails de políticos, jornalistas e empresários da Itália. Trinta pessoas foram presas. No
curso das investigações, os procuradores italianos descobriram que os mesmos executivos violaram também os arquivos da Kroll — nos Estados Unidos e no Brasil — que continham informações sobre a Brasil Telecom. Os envolvidos na espionagem confessaram que a Telecom Italia pagou
gente no Brasil para subornar políticos, juízes, gente da Polícia Federal e do Executivo, com o intuito de arregimentá-los para uma ação contra o Opportunity. “Hoje, está claro que a Telecom Italia resolveu corromper o Brasil inteiro; não sou eu que estou dizendo, é a imprensa italiana”, afirma Dantas. Ele acredita que, quando a Procuradoria italiana divulgar o nome dos brasileiros subornados, a República tremerá.
A Polícia Federal afirma que, bem antes de a Telecom Italia aparecer com o cd, seus agentes já investigavam o dono do Opportunity. A pf busca provar que a Kroll fez escutas telefônicas e teve acesso a e-mails de jornalistas e empresários. Entre os documentos recolhidos há mensagens trocadas entre Demarco e Gushiken (mas num período anterior à posse dele no ministério); teriam sido obtidos pela Kroll com a ex-mulher de Demarco.
A Operação Chacal paralisou o Opportunity. O caso ricocheteou no governo, que foi acusado de usar o aparelho do Estado para interferir numa disputa privada. Um deputado federal, do pt de Minas Gerais, Paulo Delgado (que não seria reeleito) subiu à tribuna e declarou na época: “A Polícia Federal atormenta a vida do pessoal do Opportunity com um viés penal, visivelmente favorecendo um dos lados”. Dantas faz uma pequena pausa. Em tom de professor, explica a ação mais violenta do governo para tirá-lo do negócio: a pressão sobre o Citibank. “Por estar associado a mim, o Citi foi simplesmente impedido de operar com papéis de qualquer companhia na qual a Previ tivesse participação“, disse.
O banqueiro voltou a procurar figuras do governo que pudessem ajudá-lo. O responsável pelos contatos foi Carlos Rodemburg, seu ex-cunhado e amigo de infância. Falante e sorridente, Carlinhos, como é conhecido, é a face simpática do Opportunity. Ele contatou o publicitário Marcos Valério para intermediar uma aproximação com o governo. Outra tentativa de conseguir apoio à causa foi a contratação do advogado Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, amigo de José Dirceu. Kakay recebeu 8 milhões de reais da Brasil Telecom para prestar-lhe consultoria.
…”



